Com o objetivo de esclarecer a sociedade sobre o consumo de produtos de uso cotidiano com agentes potencialmente causadores de câncer, a plataforma Tóxicos foi lançada na semana passada. A iniciativa resulta de parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e a Universidade de Fortaleza (Unifor).
A apresentação ocorreu na Unifor e abordou o tema Análise de risco de componentes carcinogênicos. A condução ficou a cargo dos professores Pedro Pinheiro, coordenador tecnológico do projeto, e Karla Rolim, coordenadora do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE), ambos da Unifor.
Participaram ainda o docente Ronald Feitosa Pinheiro, do Departamento de Medicina Clínica da Faculdade de Medicina da UFC, e a pesquisadora Roberta de Oliveira, CEO e diretora científica da MedSeq Medicina Personalizada.
LANÇAMENTO
A imagem registra alunos e docentes da UFC e da Unifor durante o lançamento do portal Tóxicos. O evento destacou a proposta de reunir informações sobre componentes carcinogênicos presentes em produtos de uso comum.
A ferramenta já está disponível ao público e foi criada com as expertises do Synapse Lab, grupo de pesquisa vinculado à Unifor, e do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC.
“A iniciativa surgiu em sala de aula, a partir de um projeto de pesquisa apresentado ao docente Ronald na UFC, e a oportunidade da nossa participação se concretizou com a visita ao NPDM e o aprofundamento na ideia inicial”, ressalta Pedro Pinheiro.
PESQUISA
Na ação conjunta, a UFC assegurou a segurança e a fidelidade dos dados com embasamento científico, validações em laboratório e orientação clínica. À Unifor coube a coordenação voltada ao desenvolvimento tecnológico e à estrutura digital da plataforma.
“Observamos aumento na incidência de câncer e a grande exposição ambiental de pacientes com vários tipos da doença a elementos como benzeno e derivados. Avaliamos mais de 3 mil alimentos e mais de 400 produtos cosméticos e de limpeza, e os estudamos para saber se seus componentes eram ou não associados ao câncer. Ao mesclar os conhecimentos da Medicina e das Ciências da Computação, o objetivo de prevenção em saúde e de compartilhamento de informações com a sociedade por meio de um site foi alcançado”, explica o professor Ronald Feitosa.
CATÁLOGO
A proposta começou a ser estruturada em 2023, com a classificação do nível de risco das substâncias segundo a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), o Laboratório de Citogenômica do Câncer e dados regulatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Os carcinogênicos são identificados por classes orgânicas e reunidos após análise de indícios reais de exposição da população. O site permite consulta por produtos ou componentes específicos e já cataloga aproximadamente 5 mil elementos.
A bióloga Jamile Gama, egressa da UFC e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da instituição, destaca a relevância social da iniciativa.
“Além de poder ajudar na prevenção do câncer e no entendimento das fórmulas de produtos usados no dia a dia, a plataforma abriu caminho para estudarmos outras possibilidades de expandir esse conhecimento para além da universidade”, destaca Jamile Gama.
PRÓXIMOS PASSOS
Entre as próximas etapas, está prevista a inclusão de novos componentes e itens. A expectativa aponta para crescimento exponencial do número de substâncias analisadas.
Visitas aos conselhos federais e regionais das categorias médicas também fazem parte do planejamento, com a meta de apresentar o projeto e ampliar a divulgação dos dados produzidos na universidade.
