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Confiante na vitória, Lula vota em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista

Candidato à reeleição "cutucou" seu principal adversário, Flávio Bolsonaro e defendeu mudanças na Corte brasileira.
Foto: Sebastião Moreira / EFE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, votou na manhã deste domingo (4) na escola estadual João Firmino, em São Bernardo do Campo, São Paulo. O petista mostrou confiança na vitória e defendeu uma mudança na Suprema Corte brasileira, ampliando a participação de mulheres. 

O chefe do Executivo chegou ao local por volta das 9h e registrou seu voto às 9h15, em meio à presença de eleitores e repórteres que se reuniam na seção eleitoral desde o começo da manhã. O petista esteve ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad.

“Hoje é um dia glorioso para o país. Uma página virada. Estou confiante na vitória e certo de que temos participação em nível nacional. Estou certo de que podemos ganhar as eleições”, afirmou.

Lula defendeu sua gestão, mas reconheceu que o país precisa de mais avanços. “Estou confiante no governo que fizemos. Confiante de que fizemos muito no governo e de que temos que fazer muito ainda. São 500 anos de atraso, e precisa de tempo para consertar”, declarou.

O presidente ainda “cutucou” seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Sem citá-lo, disse que o país precisa de mais livros que armas e que não avança com atuação de milicianos. 

“O Brasil não vai para a frente com venda de armas, mas com distribuição de livros. Não vai para a frente com milicianos, com orgia em torno do Banco Master, vai com o caráter dos seus governantes”, afirmou.

Sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula reforçou que é necessário discutir mudanças profundas, inclusive nos critérios de escolha dos integrantes da corte. “Não é possível continuar com a promiscuidade em que o país está. Vamos ter que pensar, chamar juristas, pessoas do mundo do Direito, para [definir] quem vai para a Suprema Corte”, disse.

Trajetória

Lula tem 80 anos e nasceu em Caetés, na cidade de Garanhuns, Pernambuco. Filho de lavradores, migrou com sua mãe e irmãos para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Com 12 anos, ele conseguiu seu primeiro emprego numa tinturaria. Também foi engraxate e office boy. 

Com 14 anos, começou a trabalhar nos Armazéns Gerais Colúmbia, quando teve a Carteira de Trabalho assinada pela primeira vez. Em seguida, trabalhou na Fábrica de Parafusos Marte. Nessa época, iniciou o curso de torneiro mecânico no Serviço Nacional da Indústria (Senai).

Depois de três anos, já formado, ingressou na Metalúrgica Independência, onde permaneceu por 11 meses trabalhando no turno da noite. Em 1964, com 18 anos, teve o dedo mínimo da mão esquerda cortado por uma prensa. 

Em 1966, Lula começou a trabalhar nas Indústrias Villares, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde se concentravam várias indústrias. Nessa época, passou a se envolver nos movimentos sindicais, levado por seu irmão José Ferreira da Silva, conhecido por Frei Chico. 

Já em 1975 foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, se tornando uma importante liderança operária. Foi sob seu comando, que uma greve paralisou 180 mil operários do ABC paulista. 

No dia 10 de fevereiro de 1980, Lula comandou a fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), formado pela classe operária, sindicalistas, intelectuais, artistas e católicos ligados à Teologia da Libertação, com uma proposta socialista. 

Em abril daquele mesmo ano, outra grande greve no ABC paralisou 330 mil operários durante 41 dias. Depois de uma intervenção federal, Lula, junto com outros sindicalistas, foi preso pela ditadura militar, com base na Lei de Segurança Nacional, passando 31 dias recolhido às instalações do Dops paulista. 

Pelo PT, que já vinha sendo sido implantado, Lula liderou a organização do partido e disputou, em 1982, o Governo de São Paulo, mas não se elegeu. Em agosto de 1983 participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). 

No ano seguinte participou, como uma das principais lideranças, da campanha das “diretas já” para a Presidência da República, que lutava pela democracia. Dois anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo, o mais votado do país.

Presidência da República

Lula foi lançado candidato à Presidência da República pela primeira vez em 1989. Perdeu a disputa, no segundo turno, para o candidato Fernando Collor de Mello. Em 1994 e em 1998, voltou a se candidatar para presidente da República, mas foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso. 

Em 2002, Lula concorreu pela quarta vez ao cargo de presidente, tendo como vice o empresário e senador José de Alencar, do PL de Minas Gerais. No dia 27 de outubro de 2002, com quase 53 milhões de votos, o petista foi eleito pela primeira vez. 

Lula concorreu novamente, em 2006, para reeleição de presidente, derrotando Geraldo Alckmin do PSDB — seu atual vice-presidente. Suas gestões foram marcadas por programas sociais, como o Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Prouni, Farmácia Popular, Ciências Sem Fronteiras, Luz para Todos, entre outras. 

Em 2022, o petista voltou a concorrer ao Executivo e venceu o então presidente Jair Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições, com um placar apertado, conquistando 50,9% dos votos contra 49,1% para o seu adversário.