Os atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao jogo patológico aumentaram 140% desde 2018, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde neste sábado (26). O período coincide com a expansão e regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil.
Os números foram apresentados um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar uma medida provisória que determina o encerramento das bets no país. Entre outras medidas, o texto prevê o bloqueio das plataformas a partir de 6 de outubro.
A decisão também estabelece regras para combater a exploração ilegal de apostas. Segundo o governo, uma proposta encaminhada ao Congresso prevê pena de quatro a seis anos de prisão para quem explorar ou operar apostas de quota fixa de forma irregular.
Ministro cita impactos na saúde
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, divulgou um vídeo nas redes sociais para apresentar dados relacionados aos impactos das apostas sobre a saúde e responder às críticas à decisão do governo.
Segundo Padilha, os problemas associados ao jogo podem atingir não apenas quem aposta, mas também familiares. O ministro afirmou que cada pessoa que desenvolve perda de controle com as apostas pode afetar outras seis pessoas do círculo familiar.
Padilha também declarou que dois em cada três apostadores de bets já estariam em situação considerada de risco para a saúde. De acordo com ele, pessoas em situação de vulnerabilidade econômica apresentam risco três vezes maior de sofrimento mental relacionado ao problema.
O ministro citou ainda dados específicos sobre mulheres. Segundo as informações apresentadas por ele, 12% das mulheres que nunca apostaram seriam afetadas indiretamente pelo jogo, enquanto 65% das brasileiras que apostam não procurariam ajuda por vergonha.
Governo cita custo para o sistema de saúde
Ao defender a medida, Padilha destacou o crescimento dos atendimentos do SUS relacionados ao jogo patológico e afirmou que os impactos na área da saúde representam um custo de aproximadamente R$ 30 bilhões por ano.
O governo vem utilizando os efeitos das apostas sobre a saúde pública como uma das justificativas para o encerramento das plataformas autorizadas.
A decisão, porém, também provocou críticas. Clubes de futebol e influenciadores estão entre os grupos que se manifestaram contra a proibição das bets, diante da presença das empresas no mercado de patrocínios e publicidade esportiva.
Padilha afirmou que a medida representa uma decisão voltada à proteção da população diante dos impactos atribuídos ao crescimento das apostas no país.
