Celebrado nesta quinta-feira (15), o Dia dos Professores reconhece a importância desses profissionais para a sociedade. A instituição da data no Brasil teve como uma de suas precursoras Antonieta de Barros, mulher negra, educadora, jornalista e intelectual de Santa Catarina.
Em 12 de outubro de 1948, foi promulgada a Lei Estadual nº 145, de autoria de Antonieta de Barros, que instituiu o Dia do Professor em 15 de outubro e estabeleceu a data como feriado escolar em Santa Catarina.
A iniciativa representou um passo importante para o reconhecimento dos profissionais da educação. Anos depois, em 1963, o então presidente João Goulart assinou o Decreto Federal nº 52.682, que oficializou o Dia dos Professores em todo o território nacional.
Educação como missão de vida
De acordo com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Antonieta nasceu em 1901, em Florianópolis. Formada em Português e Literatura pela Escola Normal Catarinense, em 1921, ela encarava a educação como missão de vida e instrumento de transformação social.
Aos 21 anos, fundou uma escola para alfabetizar crianças e adultos que não tinham condições de estudar. A instituição foi dirigida por ela até sua morte, em 1952. Antonieta dedicou mais de 30 anos à docência, conciliando o trabalho em sala de aula com a produção literária e jornalística.
A educadora também criou a revista Vida Ilhoa, na qual publicou artigos, e, na década de 1920, fundou e dirigiu a revista A Semana, com conteúdos voltados a questões sociais e educacionais, consolidando sua atuação na imprensa.
Papel na política e criação da data
Enquanto desenvolvia sua atuação como educadora e comunicadora, Antonieta também ingressou na política. Em 1934, tornou-se a primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil. Em 1947, foi novamente eleita para o cargo. Também foi a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Foi assim que em 12 de outubro de 1948, foi promulgada a Lei Estadual nº 145, de autoria de Antonieta de Barros, que instituiu o Dia do Professor em 15 de outubro e estabeleceu a data como feriado escolar em Santa Catarina.
A iniciativa representou um passo importante para o reconhecimento dos profissionais da educação. Anos depois, em 1963, o então presidente João Goulart assinou o Decreto Federal nº 52.682, que oficializou o Dia dos Professores em todo o território nacional.
Educação e dignidade
Para Antonieta de Barros, a educação era um direito fundamental, um instrumento de luta e um caminho para a dignidade humana. Essa perspectiva orientou sua atuação como professora, escritora e parlamentar.
Em um de seus registros sobre a missão de educar, a intelectual escreveu:
“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços; é transportar às almas que o Senhor nos confiar, à força insuperável da Fé”.
A atuação de Antonieta também se estendeu a iniciativas de caráter social. Em 1937, ela destinou os lucros da primeira edição de seu livro Farrapos de Ideias à construção de uma escola para crianças cujos pais estavam internados na Colônia Santa Teresa, instituição destinada ao isolamento compulsório de pessoas com hanseníase, então conhecida como lepra.
A importância de Antonieta de Barros para a história brasileira foi reconhecida oficialmente em 2023, quando seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.
Sua trajetória permanece como símbolo da defesa da educação, da valorização dos professores e da luta por direitos em uma sociedade marcada por desigualdades raciais e de gênero.
