O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), apresentou nesta terça-feira (21) uma petição no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmando que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, em resposta ao desafio imposto por Lula (PT) nos últimos dias. Contudo, o senador apresentou condições à campanha petista.
No documento, que foi endereçado ao ministro André Mendonça, Flávio concorda em abrir os dados de seus familiares citados e de empresas ligadas a ele, desde que Lula amplie os objetos das quebras de sigilo.
Entre as exigências feitas pelo candidato do PL estão o levantamento que abrangem tanto o período de mandatos anteriores de Lula quanto a atual gestão. Além disso, pede a quebra de sigilo de assessores próximos, como de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete do petista.
Flávio reivindica ainda a abertura de contas e sigilos de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo sociedades do filho Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, além do Instituto Lula e da empresa L.I.L.S. Palestras, desde o ano de 2003. O senador carioca ainda cobra esclarecimentos sobre as relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de suas entradas em palácios presidenciais e voos na Força Aérea Brasileira (FAB), e a quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.
Outro ponto abordado é a divulgação integral de registros de visitantes no Palácio do Planalto e detalhes da reunião mantida entre Lula e Daniel Vorcaro, em dezembro de 2024. Por fim, a campanha do PL quer a abertura de todos os gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023, e de agendas institucionais da primeira-dama, Janja da Silva.
Apesar das cobranças, a defesa de Flávio Bolsonaro acredita que a proposta inicial de Lula seria uma “promessa vazia” e uma “quebra para inglês ver”. Segundo os advogados, eventuais irregularidades do adversário estariam ocultas em nomes de terceiros, laranjas e empresas, e não em suas contas diretas.
Campanha petista aceitou exigências
O coordenador político da campanha de Lula, senador Camilo Santana (PT-CE), disse em entrevista nesta quarta-feira (21) que o petista não se opõe às condições colocadas pelo seu adversário. Porém, o político cearense acredita que se trata de uma “manobra” de Flávio Bolsonaro.
“Ele protocolou hoje no TSE, colocando uma série de condicionantes numa tentativa de manobra em relação ao que o presidente colocou, muito objetivo, para mostrar claramente quem é o ladrão e quem não é o ladrão nesse país. E todas as condicionantes que ele colocou, a única resposta que o presidente tem é dizer que o presidente não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo”, disse Camilo.
O senador disse que estranhou, porém, a retirada de uma empresa da petição apresentada pela candidatura do PL, a Alcazar Holdings, controlada pelo advogado Willer Tomaz, que é investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção, peculato eletrônico, violação de sigilo funcional e envolvimento em fraudes no INSS.
Segundo reportagens divulgadas nos últimos dias pela revista Piauí e pelo portal de notícias UOL, Flávio seria uma espécie de “sócio oculto” da empresa, já que era considerado “usuário master” da conta bancária da Alcazar. “A gente vê com muita estranheza ele tirar essa empresa que nós colocamos exatamente no requerimento do presidente. Então, que a imprensa possa cobrar dele”, sugeriu Camilo.
O senador cearense disse ainda que a campanha de Lula vai ao TSE às 11h desta quinta-feira (22) para protocolar a resposta ao senador Flávio Bolsonaro. “É o prazo que ele [Flávio] vai ter também para estar lá, para abrir também todo o sigilo bancário e telefone que o presidente Lula propôs”, completou.
A proposta de abrir os sigilos ocorreu no debate eleitoral do último domingo (18), promovido pela Band. Na ocasião, Flávio fez acusações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Já Lula, citou o envolvimento do senador no escândalo do Banco Master e o pedido de mais de 130 milhões ao ex-banqueiro preso.
