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Eleita para a Câmara, Giordanna Mano defende recursos exclusivos para atender crianças autistas na rede pública

Em entrevista ao Opinião CE, deputada federal eleita defende recursos específicos para garantir profissionais e promover o desenvolvimento de estudantes com deficiência e neurodivergentes
Foto: Vitória Galdencio/Opinião CE

A deputada federal eleita Giordanna Mano (PRD), que ficou em quarto lugar entre os parlamentares eleitos para a Câmara Federal pelo Ceará em 2026, defendeu a criação de um orçamento específico para a inclusão de crianças com deficiência e neurodivergentes nas escolas públicas. Em entrevista ao jornalista Roberto Moreira no Opinião CE nas Eleições 2026, a ex-prefeita de Nova Russas afirmou que as redes municipais de ensino ainda enfrentam dificuldades para oferecer condições adequadas ao desenvolvimento desses estudantes, incluindo crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Para a parlamentar eleita, a inclusão precisa ir além da matrícula e da presença dos alunos em sala de aula. A proposta é garantir recursos para contratar profissionais capazes de acompanhar as necessidades específicas de cada criança.

“Tem que ter um novo orçamento voltado para inclusão. Mas inclusão de verdade, não só de colocar a criança dentro da escola. De que forma vou potencializar o desenvolvimento daquela criança? Tenho que ter profissionais para isso”, afirmou.

A entrevista completa está disponível no canal do YouTube do Opinião CE.

Giordanna quer levar pauta das famílias atípicas a Brasília

A defesa de políticas públicas para famílias atípicas está entre as pautas que Giordanna pretende levar ao mandato na Câmara dos Deputados, a partir do próximo ano. Segundo ela, a demanda aparece em diferentes municípios e exige maior atenção dos gestores públicos. “Em todas as cidades que eu andei, a pauta das famílias atípicas está em todo lugar”, disse.

A deputada eleita avalia que, durante muito tempo, pais e responsáveis tiveram dificuldade para buscar atendimento e reivindicar direitos por causa do acesso limitado a profissionais especializados, especialmente no interior do Ceará. “No Interior, onde ia conseguir um médico neuropediatra? Muito difícil ter acesso”, declarou.

Na avaliação de Giordanna, a ampliação do acesso à informação e aos serviços especializados contribuiu para tornar mais visível uma demanda que, segundo ela, não recebia a mesma atenção anteriormente. “Precisamos entender que vivemos uma nova realidade. A educação vive uma nova realidade. A gente precisa, urgentemente, fazer um trabalho com relação a isso, e um gestor, que é o líder maior desse município, precisa levantar essa bandeira”, afirmou.

Falta de profissionais desafia redes municipais

Giordanna também apontou a falta de profissionais especializados como um dos obstáculos para ampliar a inclusão nas escolas. Segundo ela, muitas prefeituras não estavam preparadas para atender à demanda por serviços como terapia ocupacional e fonoaudiologia. “Não tinha nem faculdade de Terapia Ocupacional, de Fono. Estão abrindo as faculdades, porque não tinha a busca ativa desses profissionais”, afirmou.

Giordanna Mano defende orçamento específico para a inclusão de crianças com deficiência e neurodivergentes nas escolas públicas. Foto: VItória Galdencio/Opinião CE

A parlamentar acrescentou que a formação de novos profissionais é necessária para ampliar a capacidade de atendimento, mas não resolve imediatamente a carência existente. “Hoje, necessita, e a gente tem que aguardar essas pessoas se formarem para que possam ocupar os lugares”, disse.

Fundeb e financiamento da inclusão

Ao defender um orçamento específico para a área, Giordanna mencionou os limites do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), principal mecanismo de financiamento da educação básica pública no Brasil. Segundo a deputada eleita, o fundo já reúne diversas despesas, o que reforça, em sua avaliação, a necessidade de discutir recursos direcionados à inclusão.

A proposta apresentada na entrevista tem como foco ampliar as condições para que as escolas ofereçam acompanhamento adequado e promovam o desenvolvimento de crianças com deficiência e neurodivergentes.