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Brasileiras “caçadas” por deputado da Polônia pedem ajuda ao Itamaraty

O caso aconteceu após as duas cidadãs do Brasil usarem adereços do Partido dos Trabalhadores (PT)
Foto: Reprodução/X

As duas brasileiras vítimas de perseguição na Polônia buscaram ajuda do Itamaraty após o deputado polonês Dominik Tarczyński iniciar uma “caçada” contra as duas nas redes sociais.

O caso aconteceu após as duas cidadãs do Brasil usarem adereços do Partido dos Trabalhadores (PT) durante a votação no exterior do primeiro turno das eleições, realizado no último domingo (4).

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que as brasileiras buscaram o governo brasileiro por meio da Embaixada do Brasil na Polônia

“O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Varsóvia, foi notificado da situação pelas cidadãs brasileiras”, afirmou o Itamaraty sem dar maiores detalhes. “O setor consular da Embaixada colocou-se à disposição para prestar assistência consular às nacionais, caso solicitado”.

Nos registros, as duas aparecem fazendo símbolo de “L” com as mãos, em referência ao presidente Lula. Uma delas ainda utilizada um broche com a estrela do PT, enquanto a segunda usava um boné vermelho.

Aliado de Flávio Bolsonaro, a quem chegou a parabenizar pela vitória no primeiro turno, Tarczyński pediu que seus seguidores “informações sobre essas senhoras” em caráter “URGENTE”.

Ameaça de deportação

O eurodeputado, defensor de pautas ligadas a direita como políticas de imigração rigorosas, ameaçou deportas as duas brasileiras. Para justificar a ameaça, Tarczyński usou leis da Polônia que proíbem a promoção do comunismo, ainda que os objetos usados pelas mulheres não fizessem referências a ideologia política.

Eu mesmo vou ajudá-la a fazer as malas antes da deportação dela. Promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido!”, escreveu em sua conta no Instagram. “Livrem-se dos comunistas no Brasil, assim como fizemos na Polônia. Votem no Flavio”, completou.

Na publicação, há uma imagem produzida com inteligência artificial em que uma das mulheres aparece de malas prontas para voltar ao Brasil. Na ilustração, também é possível ler a frase “de volta para a minha Terra”.

Engajamento brasileiro

A postagem tem mais de 1,2 milhão de curtidas, 119 mil reposts e 175 mil comentários. Muitos deles foram feitos por usuários brasileiros.

“Pra cá não, mande pra Cuba”, escreveu uma internauta. “Manda de preferência pro Nordeste”, afirmou outro usuário. O Nordeste foi a única das cinco regiões brasileiras onde Lula teve mais votos que Flávio.

A legislação polonesa não permite o uso de adereços que possam fazer apologia a regimes totalitários, como nazismo e comunismo. Apesar de a estrela guardar semelhança com o símbolo da extinta União Soviética, as inscrições no broche deixam claro que se trata do partido brasileiro.

Um dia antes da publicação contra as eleitoras brasileiras, Tarczyński publicou uma foto em que aparece ao lado de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, parabenizando o candidato do PL pela vantagem obtida no primeiro turno da eleição.

“Parabéns pela vitória na primeira rodada! O Brasil em breve estará livre dos comunistas”, escreveu.