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Ministro do TSE se declara suspeito após questionamentos sobre decisão que afetou chapa de Ciro no Ceará

Floriano de Azevedo Marques deixa relatoria do caso que suspendeu participação da União Progressista na coligação “Unir para Mudar”, após Capitão Wagner citar atuação da filha do magistrado como advogada de adversário político
Decisão que suspendeu a participação da União Progressista na coligação de Ciro Gomes será analisada por outro relator. Foto: Whyngrysthon Castro/Divulgação

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou-se suspeito para atuar no processo que envolve a participação da Federação União Progressista na coligação “Unir para Mudar”, encabeçada pelo candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Com a decisão, o magistrado deixa a relatoria do caso e não participará da votação no plenário.

A suspeição ocorreu após o presidente da Federação União Progressista no Ceará, Capitão Wagner (União Brasil), e o candidato a vice-governador, Roberto Cláudio (União Brasil), questionarem a decisão do ministro e afirmarem, durante coletiva, que a filha de Floriano de Azevedo Marques atua como advogada de um adversário político na disputa pelo Senado. Ciro Gomes também fez uma publicação mencionando a relação.

Floriano afirmou ter considerado “inadequado prosseguir oficiando nos presente feitos”, diante da necessidade de preservar a equidistância do julgador em relação às partes. Segundo o ministro, as circunstâncias mencionadas são desconhecidas por ele e “sequer tangenciam hipótese de impedimento”. Ainda assim, afirmou que, diante dos questionamentos levantados, decidiu declarar sua suspeição.

“Assim sendo, com base no art. 145, § 1º, do CPC, declaro minha suspeição para atuar nos presentes feitos indicados e declino da relatoria dos processos alusivos à tutela de urgência e ao correlato recurso especial.”

Decisão anterior continua em vigor

A declaração de suspeição não significa, por si só, a anulação da decisão tomada anteriormente pelo ministro. A liminar que suspendeu atos de campanha de Capitão Wagner e Roberto Cláudio, integrantes da chapa de Ciro Gomes, permanece em vigor enquanto o processo é redistribuído para outro relator, que poderá analisar a manutenção ou eventual revisão da medida.

A decisão original havia suspendido a participação da Federação União Progressista na coligação “Unir para Mudar” e determinado restrições que atingiram as candidaturas de Roberto Cláudio à Vice-Governadoria e de Capitão Wagner ao Senado.

Capitão Wagner comenta suspeição

Ao comentar a decisão, Capitão Wagner afirmou que “sempre se manteve calmo e sereno” em relação ao assunto. A declaração ocorre em meio à reação da chapa de Ciro Gomes à decisão do TSE, que provocou mudanças na campanha na reta final antes do primeiro turno. A Federação União Progressista e os candidatos atingidos também apresentaram questionamentos à decisão.