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Lula reage à decisão dos EUA sobre PCC e CV e acusa Flávio Bolsonaro de defender intervenção estrangeira

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirma nota oficial
Em maio, Trump e Lula se encontraram para tratar das tarifas. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Governo Federal reagiu nesta sexta-feira (29) à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em nota oficial, assinada por Lula (PT), o Palácio do Planalto defendeu a soberania brasileira, criticou a atuação de integrantes da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano e alertou para possíveis impactos da medida no combate ao crime organizado.

“O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”, afirmou Lula.

O trecho de maior repercussão da nota faz referência direta à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto às autoridades norte-americanas.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, diz o texto.

Segundo o presidente, o crime organizado deve ser combatido por meio da cooperação internacional, sem medidas unilaterais que possam afetar a soberania nacional. A nota cita que o Brasil apresentou, em abril deste ano, uma proposta ao Departamento de Estado dos EUA voltada ao fortalecimento da inteligência e da cooperação internacional no combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico internacional de armas. O Planalto também argumenta que ações não negociadas podem enfraquecer a troca de informações entre forças policiais, gerar prejuízos econômicos e até afetar instrumentos financeiros nacionais.

“Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, destaca a nota.

Entenda a decisão dos Estados Unidos

As facções PCC e Comando Vermelho passarão a ser tratadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas, conforme anúncio feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Inicialmente, os grupos foram enquadrados na categoria de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs), classificação que já está em vigor. A partir de 5 de junho de 2026, as facções também deverão receber a designação formal de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs).

Em nota oficial, o Departamento de Estado classificou PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”.

A nova classificação permite aos Estados Unidos ampliar mecanismos de combate às facções, incluindo bloqueio de ativos financeiros, restrições migratórias, proibição de transações econômicas envolvendo integrantes ou associados e uso ampliado de instrumentos de inteligência.

Além disso, qualquer apoio material aos grupos passa a ser considerado ilegal sob a legislação norte-americana, incluindo repasses financeiros, treinamento, fornecimento de equipamentos ou prestação de serviços.

A medida foi defendida por integrantes da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos nos últimos meses. Já o governo brasileiro vinha atuando diplomaticamente para evitar a classificação, sob o argumento de que a decisão poderia abrir precedentes para interferências externas em temas de segurança pública e soberania nacional.