O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados decidiu pela suspensão, por 60 dias, dos mandatos de Marcos Pollon (PL-MS), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) por quebra de decoro parlamentar.
A punição tem relação com o motim promovido pelos parlamentares no plenário da casa legislativa, em defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A confirmação da decisão ainda depende do plenário da Câmara dos Deputados, que precisa aprovar a medida com pelo menos 257 votos. Os parlamentares citados também mantêm o direito de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
CRISE POLÍTICA
Em agosto de 2025, deputados e senadores da oposição passaram a noite nos plenários do Congresso Nacional, impedindo sessões legislativas. O protesto ocorreu após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) e pressionava pela votação do projeto de anistia.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou o afastamento de 14 parlamentares envolvidos no episódio.
O corregedor da casa legislativa, Diego Coronel (PSD-BA), encaminhou ao Conselho de Ética a recomendação de suspensão dos três parlamentares analisados.
VOTAÇÃO
Depois de nove horas de discussões, o colegiado aprovou os pareceres contra os deputados investigados.
No caso de Marcos Pollon, o placar foi de 13 a 4. Marcel van Hattem e Zé Trovão tiveram a suspensão aprovada por 15 a 4.
REAÇÕES
Zé Trovão classificou a decisão como perseguição e afirmou que repetiria a ação se julgasse necessário. “E digo mais, se for preciso tomar a Mesa [Diretora] novamente, em algum momento da História, para defender quem me elegeu, assim eu o farei”, ameaçou.
Marcos Pollon declarou não ter quebrado o decoro durante o mandato. “Sempre mantive um debate de alto nível. Só que a humanidade grita mais alto para quem tem sangue correndo nas veias. O grau de injustiça que nós estamos vendo no nosso país é absurdo”, afirmou.
Marcel van Hattem afirmou que o motim teria sido pacífico. “Assim como foi feito no Senado – o senador Girão, o senador Sergio Moro estiveram aqui conosco dando solidariedade também –, onde nada aconteceu. Nós vimos lá, sim, bom senso, respeito à democracia, respeito à oposição. Aqui nós estamos vendo a mais pura e simples perseguição”, disse.
Com informações da Agência Brasil.
