O rompimento de uma barragem no município de Pacatuba, no último domingo (3), tem gerado preocupação ao povo Pitaguary. Lideranças indígenas já haviam solicitado, na gestão passada do município, o desassoreamento do açude, que não foi realizado. Conforme apurado pelo Opinião CE, o açude é utilizado por cerca de 10 famílias da aldeia Monguba para agricultura.
“Os agricultores ficaram bastante preocupados por conta da situação, porque é de lá que eles tiram boa parte do sustento da família”, disse Rosa Pitaguary, liderança indígena do povo Pitaguary.
Ela explicou, ao Opinião CE, que o açude está dentro da Mata do Sabiá, território que é uma área de retomada do povo Pitaguary. Uma área de retomada corresponde a um território em que o povo indígena que o ocupa reivindica a demarcação oficial pelo Governo Federal.
Alguns locais fora da área de retomada, ainda de acordo com ela, também foram afetados com alagamentos.
O povo Pitaguary, conforme a liderança, ainda não conseguiu entrar em contato com a gestão municipal para saber o que o Executivo da cidade e a Defesa Civil podem fazer para ajudar na reconstrução do açude. Ela destacou, no entanto, ter a consciência de que provavelmente a barragem não será reconstruída no período chuvoso. “Vamos ter que esperar passar para que a gente possa fazer alguma coisa.”
De acordo com Rosa, na gestão anterior de Pacatuba, já havia sido solicitado o desassoreamento do açude, com a remoção de sedimentos e da areia que podem impedir que o reservatório atinja sua capacidade máxima. Segundo ela, porém, mesmo após o contato com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o desassoreamento não foi realizado.
A Funai, aliás, também foi contatada após o desabamento desta semana para auxiliar na tentativa de se chegar a uma solução. “Nós conversamos com um dos técnicos. Ele disse que ia repassar a situação para o coordenador da Funai. Estamos aguardando para saber quais são os direcionamentos”, explicou Rosa.
Coordenadora de Políticas Públicas para os Povos Indígenas da Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepince), ela destacou, inclusive, que a situação foi repassada para a secretária Juliana Alves, titular da pasta, que “está se mobilizando para também tentar ajudar na medida do possível”.
