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Cresce número de quem acha que redes sociais prejudicam a democracia, aponta pesquisa

Levantamento com 45 mil pessoas em 37 países mostra crescimento da percepção de que plataformas digitais prejudicam a democracia
Redes sociais são vistas como ferramentas de informação e participação política, mas também de manipulação e divisão. Foto: Marcello Casal Júnior/Agência Brasil

As redes sociais são vistas cada vez mais como um fator de divisão política e de manipulação da população, além de uma ameaça à democracia. É o que aponta uma nova pesquisa do Pew Research Center, divulgada na última quinta-feira (1º), que ouviu 45.658 pessoas em 37 países.

Apesar da percepção negativa crescente, a maioria dos entrevistados também reconhece efeitos positivos das plataformas digitais. Em todos os países pesquisados, maiorias afirmam que o acesso à internet e às redes sociais tornou as pessoas mais informadas sobre acontecimentos atuais. Em 37 países, a mediana foi de 77% nesse quesito. A pesquisa também mostra que 60% dos entrevistados, na mediana dos países analisados, consideram que as redes sociais ampliaram a capacidade de as pessoas terem uma voz significativa na política.

Ao mesmo tempo, os efeitos negativos aparecem com força. Uma mediana de 79% afirma que a internet e as redes sociais facilitaram a manipulação por meio de informações falsas e rumores, enquanto 68% dizem que essas plataformas tornaram as pessoas mais divididas em suas opiniões políticas.

Percepção negativa aumentou em diferentes países

Segundo o Pew Research Center, a parcela da população que considera as redes sociais prejudiciais à democracia aumentou em 16 dos 26 países que possuem dados comparáveis de pesquisas anteriores, realizadas em 2022 ou 2023. A percepção é especialmente forte em países de alta renda. Estados Unidos, Canadá e Reino Unido estão entre os países onde há maior proporção de entrevistados que consideram negativa a influência das redes sociais sobre a democracia.

Nos Estados Unidos, 64% dos adultos dizem que as redes sociais têm sido ruins para a democracia. O índice é o mesmo registrado no país em 2022. Na Holanda, porém, a proporção chegou a 70%, enquanto França e Alemanha registraram 65% e 61%, respectivamente.

No Brasil, 29% dos entrevistados consideram que as redes sociais têm sido ruins para a democracia, enquanto 60% avaliam o impacto como positivo.

Redes sociais também são vistas como instrumento de participação

Apesar das críticas, a pesquisa mostra que as redes continuam sendo percebidas como ferramentas de informação e participação política. Em todos os 37 países analisados, a maioria dos entrevistados afirma que a internet e as redes sociais tornaram as pessoas mais informadas sobre acontecimentos atuais. Também há maioria em todos os países na percepção de que essas ferramentas ampliaram a capacidade de participação política.

O levantamento aponta, portanto, uma percepção ambivalente sobre as plataformas: elas ampliam o acesso à informação e a possibilidade de manifestação política, mas também são associadas à disseminação de informações falsas, à manipulação e ao aumento da polarização.

Empresas enfrentam pressão por danos causados pelas plataformas

Nos últimos anos, empresas responsáveis por algumas das principais redes sociais, como Meta, Snap e TikTok, passaram a enfrentar ações judiciais relacionadas a possíveis danos provocados pelo uso de suas plataformas. Governos de diferentes países também têm adotado medidas para ampliar a proteção da privacidade dos usuários e estabelecer regras para o ambiente digital. O levantamento do Pew Research Center integra uma pesquisa global sobre a percepção da população em relação ao impacto das redes sociais na democracia e na sociedade. Além das entrevistas realizadas em 37 países, o instituto ouviu separadamente 5.511 adultos nos Estados Unidos para analisar o uso das diferentes plataformas.