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Esporte faz bem para o corpo e para a mente de crianças neurodivergentes

Da natação ao atletismo, histórias como a de Miguel mostram como o esporte pode fortalecer o corpo, estimular a autonomia e transformar a saúde de crianças neurodivergentes
Luiz Miguel pratica natação desde os 6 anos por recomendação médica e já desfruta dos benefícios. Foto: Reprodução/arquivo pessoal

Praticar esporte pode ser muito divertido, e também muito importante na infância! Para crianças neurodivergentes, como aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e dislexia, o esporte vai além de cuidar da saúde do corpo: ele também ajuda no desenvolvimento das emoções, da convivência com outras pessoas e do aprendizado.

Por que o esporte é tão importante?

Segundo a neurologista infantil Joana Torres, quando a criança pratica regularmente algum esporte, ela pode:

  • Ficar mais calma e concentrada
  • Dormir melhor
  • Ganhar mais equilíbrio e coordenação
  • Aprender a seguir regras e cooperar
  • Fazer novas amizades
  • Aprender a lidar com suas emoções

A especialista também explica que as atividades físicas ajudam a diminuir a ansiedade, a agitação e até alguns comportamentos repetitivos. Além disso, o corpo também fica mais forte! Músculos, pulmões e coração trabalham melhor, trazendo ainda mais saúde para o dia a dia.

Benefícios na prática

Quem sente todos esses benefícios na prática é Luiz Miguel, de 8 anos. Ele começou na natação aos 6 anos, e isso fez muita diferença na sua vida.

O pai dele, Jean Gonçalves, conta que a natação foi indicada pelos médicos quando o menino tinha 5 anos. “Os profissionais que acompanhavam o Miguel perceberam uma fraqueza nos músculos na região das pernas e braços, além de episódios de espasmos musculares que comprometiam a desenvoltura corporal. A natação foi recomendada para ajudar nisso”, explica.

No começo, nem tudo foi fácil. Miguel tem autismo, e a água fria era um desafio. Mas, com o tempo, ele conseguiu se adaptar. Hoje, segundo o pai, ele adora estar na piscina. “Eu sinto uma alegria imensa ao ver que ele criou um amor pela natação”, conta.

Com a prática, os resultados apareceram: Miguel ficou mais ágil, melhorou a coordenação motora e o equilíbrio. “Miguel desenvolveu algumas habilidades que não se via antes das aulas, como o equilíbrio ao correr. Também pude notar que após os treinos ele ficava bem mais calmo no decorrer do dia. Tenho esperança que ele vai desenvolver ainda mais”, ressalta.

Luiz Miguel ao lado do pai, Jean Gonçalves se divertindo na piscina. Foto: reprodução/arquivo pessoal

Qual é o melhor esporte?

Existem várias opções! Além da natação, que ajuda a relaxar e trabalhar o corpo todo, outros esportes também são indicados para crianças neurodivergentes. Veja alguns exemplos:

Artes marciais (judô, karatê)
Melhoram a disciplina, o foco e o respeito.

Tênis de mesa
Aumenta a agilidade e a coordenação motora, ajuda na noção de espaço e estimula o raciocínio.

Futebol
Ensina a jogar em equipe e fazer amigos.

Equoterapia
Trabalha o equilíbrio, a postura e a conexão emocional com os cavalos.

Atletismo
Aumenta a resistência física, reduz a ansiedade e ajuda na autonomia e disciplina.

Segundo a neurologista, até os exergames, videogames de movimento interativo, podem ser uma boa opção para incentivar a atividade física de forma divertida.

Todo mundo pode!

Cada criança é única! Sendo neurodivergente ou não, todas podem aproveitar os benefícios do esporte. O mais importante é escolher uma atividade que goste. Além disso, com o apoio da família, tudo fica mais fácil. Respeitar o tempo da criança e incentivar com carinho faz toda a diferença.

E o recado do pai do Miguel é claro: “O esporte vale muito a pena e faz a criança ficar mais feliz. Se seu filho ainda não pratica nenhum, comece hoje a mostrar o lado bom de cada esporte.”

No fim das contas, o mais importante é isso: brincar, se movimentar e descobrir o quanto cada criança é capaz.