O dólar comercial encerrou a quinta-feira (30) no menor valor em quase dois meses, impulsionado pelo enfraquecimento da moeda estadunidense no mercado internacional e pela entrada de capital estrangeiro no Brasil.
O mercado financeiro também registrou forte alta na Bolsa de Valores brasileira, enquanto os preços internacionais do petróleo recuaram, à medida que investidores reduziram parte do prêmio de risco provocado pelas tensões no Oriente Médio.
A melhora do ambiente externo ocorreu após novos dados de inflação dos Estados Unidos reforçarem a percepção de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, poderá adotar uma postura menos rígida em relação aos juros nos próximos meses. O cenário favoreceu ativos de maior risco, como ações e moedas de países emergentes.
MERCADO
Os principais indicadores do dia foram:
- Dólar à vista: R$ 5,061 (-0,93%);
- Ibovespa: 177.158 pontos (+1,88%);
- Petróleo Brent: US$ 86,88 (-1,37%);
- Petróleo WTI: US$ 83,59 (-1,03%).
A moeda estadunidense encerrou o pregão vendida a R$ 5,061, com queda de R$ 0,04, equivalente a 0,93%. Com o resultado, a cotação atingiu o menor patamar em quase dois meses.
O principal fator para o movimento veio dos Estados Unidos. Dados mostraram que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed, avançou apenas 0,1% em junho, abaixo da expectativa do mercado, que era de 0,2%.
A divulgação fortaleceu a avaliação de que a autoridade monetária estadunidense poderá manter os juros estáveis no curto prazo, reduzindo a pressão sobre a economia.
REFLEXOS
Com a perspectiva de juros sem novas altas nos Estados Unidos, o dólar costuma perder força no mercado internacional, enquanto investidores ampliam a busca por ativos mais rentáveis. Nesse contexto, moedas de países emergentes, como o real, tendem a se valorizar.
Outro elemento que favoreceu o câmbio brasileiro foi a percepção de maior entrada de investidores estrangeiros no mercado doméstico.
Operadores relataram aumento da demanda por ações de grandes empresas, movimento que amplia a oferta da moeda norte-americana e fortalece o real.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,93%, pressionado principalmente pela valorização do iene japonês.
O ambiente internacional mais favorável também impulsionou a Bolsa de Valores brasileira.
O Ibovespa avançou 1,88% e encerrou o pregão aos 177.158 pontos, recuperando integralmente as perdas registradas após a decisão de política monetária do Federal Reserve na véspera.
BOLSAS
O movimento positivo também foi observado nas principais bolsas internacionais:
- Dow Jones (empresas industriais dos Estados Unidos): +1,19%;
- S&P 500 (500 maiores empresas dos Estados Unidos): +1,67%;
- Nasdaq (empresas de tecnologia): +2,78%.
No Brasil, o desempenho também foi beneficiado pela expectativa de redução da taxa Selic nos próximos meses, diante de indicadores recentes de inflação mais moderados.
As ações de maior peso no índice lideraram os ganhos, com destaque para bancos, petroleiras e mineradoras.
Os preços internacionais do petróleo fecharam em queda após devolverem parte da forte alta registrada na sessão anterior.
O barril do tipo Brent, referência para o mercado internacional, caiu 1,37% e encerrou o dia cotado a US$ 86,88. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuou 1,03%, para US$ 83,59.
PETRÓLEO
Durante a madrugada, as cotações chegaram a subir em reação aos novos ataques entre Estados Unidos e Irã.
No entanto, o mercado reduziu parte do prêmio de risco ao acompanhar as negociações envolvendo o Estreito de Ormuz e avaliar que ainda não houve interrupção permanente do abastecimento mundial.
Além do cenário geopolítico, investidores passaram a monitorar a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), marcada para este domingo, quando o grupo poderá discutir novos níveis de produção.
Com informações da Agência Brasil e Reuters.
