Em um cenário marcado pela polarização política e pela disseminação de desinformação, o cineasta cearense Halder Gomes defende que a arte e a cultura desempenham um papel essencial na preservação da memória coletiva e na representação da sociedade.
Em entrevista ao Opinião CE, o diretor afirmou que manifestações artísticas como cinema, teatro, literatura, música e pintura são capazes de registrar diferentes períodos históricos e revelar a identidade de um povo.
Conhecido por filmes como Cine Holliúdy, O Shaolin do Sertão e Os Parças, Halder destacou que a cultura ultrapassa disputas políticas e permanece como um patrimônio permanente da sociedade.
“A arte e o cinema, a cultura, são a representação de uma sociedade, de um período, de um povo, de uma manifestação expressa através da música, do teatro, da literatura, do cinema, da pintura”, afirmou.
Ao comentar o período eleitoral e o debate público, Halder observou que a circulação de notícias falsas e informações distorcidas pode comprometer a compreensão da realidade. Nesse contexto, ele acredita que a arte oferece uma forma mais autêntica de expressão social.
“Quando as pessoas ficam discutindo através de desinformações e notícias falsas, muitas vezes a arte e a cultura são a expressão maior de uma sociedade de forma verdadeira, autêntica, como uma manifestação pura”, disse.
O cineasta também relaciona a cultura à construção da identidade individual. Segundo ele, experiências culturais moldam a forma como as pessoas enxergam o mundo, preservam memórias e constroem suas vivências.
“Somos as músicas que escutamos, somos feitos de memória, de tudo o que vivemos, lemos, assistimos e compartilhamos. Se você tirar a cultura da existência de uma pessoa, ela vira um ser inócuo”, afirmou.
Cultura como prioridade
Para Halder Gomes, independentemente do contexto político vivido pelo país, a cultura permanece como um elemento indispensável para a formação da sociedade e para a preservação da história de um povo.
“É extremamente importante. Independentemente do contexto político que esteja existindo, a cultura está sempre acima de qualquer outro desses assuntos”, concluiu.
Para o diretor, compreender o valor da cultura é também reconhecer sua importância estratégica para o desenvolvimento do país. Ele cita o conceito de soft power, utilizado para definir a influência internacional exercida por meio da cultura, e avalia que o Brasil começa a ocupar esse espaço de forma mais consistente.
“Os países que sabem usar o soft power entendem a sua cultura como prioridade. O Brasil está começando a entender isso, e o mundo está começando a olhar para o país como um lugar que exporta sua cultura com orgulho e alcance. Conseguimos um Oscar, premiações em Cannes, e isso é muito importante para o nosso cinema e para outras manifestações artísticas”, ressaltou.
