O receio generalizado de que a Inteligência Artificial provocará uma onda de desemprego em massa não se sustenta quando se observam os números da macroeconomia. É o que defende o britânico-cipriota Christopher Pissarides, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2010 e um dos principais nomes mundiais no estudo do mercado de trabalho.
Para o economista, a IA tem se comportado, na prática, como uma ferramenta de apoio ao trabalhador, e não como uma substituta em larga escala. As declarações foram dadas durante a 25ª Conferência da Society for the Advancement of Economic Theory (SAET), realizada no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), no Rio de Janeiro.
“Existem alguns casos pontuais de aumento de desemprego que ganham muita repercussão, principalmente em empresas de tecnologia, e que de fato afetam milhares de trabalhadores. Mas, quando olhamos o cenário macroeconômico como um todo, esses casos são muito pequenos”, afirmou Pissarides.
Segundo ele, setores tradicionais seguem em expansão. “Em áreas como a construção civil, por exemplo, a demanda está aumentando. Também surgem novas vagas ligadas à segurança, manutenção, robótica, equipamentos e análise de dados de programas, entre outras funções”, completou.
Habilidades ficam obsoletas mais rápido em áreas técnicas
O pesquisador também abordou a rapidez com que competências profissionais perdem validade em um cenário cada vez mais automatizado. Um estudo conduzido por ele avaliou a chance de um profissional precisar de nova capacitação após oito anos na mesma função.
O levantamento concluiu que trabalhadores diretamente ligados à área de tecnologia sentem com mais intensidade a pressão por atualização constante. Já profissões voltadas à educação e ao cuidado humano, como docência e enfermagem, não apresentaram mudanças relevantes nas exigências de qualificação ao longo de quase uma década.
As informações são da Agência Brasil.
