O Governo do Ceará projeta que, a partir de 2027, o Estado vai dar um “salto significativo” no setor de exportação. O cenário vem se consolidando, conforme o Executivo, devido à chegada de novos data centers. A previsão é de que 15 cargueiros aéreos mensais venham da China diretamente para o Ceará, o que pode impulsionar a exportação de produtos como frutas e calçados.
O foco é otimizar o frete internacional, garantindo que o Estado não seja apenas um receptor de carga, mas “um exportador ágil”, como apontou o Governo. A estratégia da Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) visa transformar a importação de tecnologia em uma alavanca para setores como o agronegócio e a indústria.
Em 2027, está previsto o início da operação da Omnia, plataforma de data centers hiperescala lançada pelo Patria Investimentos. O projeto na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Complexo do Pecém é o principal da companhia no País.
Dentre os data centers, um deles, da ByteDance – empresa dona da rede social TikTok -, conta com um investimento estimado em R$ 200 bilhões.
A estrutura do complexo de dados contará com dois grandes edifícios que somam quase 150 mil metros quadrados de área construída e terá uma capacidade de 200 megawatts de processamento de dados, operando com uma demanda total de 300 megawatts de energia, o que reforça o Complexo do Pecém como um consolidado polo eletrointensivo.
Estratégia com cargueiros
Atualmente, esses aviões chegam ao Estado carregados e, sem um planejamento estratégico, retornam vazios. O plano do Governo é utilizar esse frete de retorno para escoar produtos perecíveis e manufaturados, transformando o que seria um custo logístico em uma oportunidade real para o interior do Estado.
“Estamos planejando usar o frete de retorno para exportar melão, que é uma fruta altamente perecível, além de vestuário, calçados e flores. Isso é transformar tecnologia em oportunidade real para o povo cearense”, destacou o secretário da SDE, Fábio Feijó.
A estratégia consiste em criar uma ponte entre as operadoras logísticas e os produtores de itens com alto valor agregado. A meta é ocupar os porões das aeronaves com frutas premium, pescados finos, água de coco e castanhas.
O secretário Fábio Feijó reforçou que a situação cria uma “oportunidade única” para o Ceará exportar com “rapidez e eficiência”, além de frisar a importância do diálogo com o setor produtivo.
