A memória, a infraestrutura digital, os ciclos hídricos e a ancestralidade no Ceará se encontram em “Água Escura Natureza Elétrica”, a primeira mostra individual da artista visual e pesquisadora cearense Trojany, que será aberta no próximo sábado (15), às 19h, no Centro Cultural Casa do Barão de Camocim.
A exposição, que tem curadoria de Rodrigo Lopes, reúne 15 obras fruto de pesquisa e criação da artista. São fotografias de família, retratos de ritos de passagem, vídeos, registros de performances, objetos encontrados, imagens do século XIX, bandeiras-palavras, sites e aves taxidermizadas.
Todo esse acervo tensiona as relações entre a história colonial e contemporânea do Ceará a partir do elemento central que molda seu território e seu imaginário: a água. Em que medida a infraestrutura digital, sobreposta à paisagem dos açudes, reescreve não apenas a geografia, mas a própria memória do território?
Essa é uma das provocações que a mostra desperta, num percurso que confronta diferentes regimes hídricos — da seca extrema ao transbordamento, das enchentes e chuvas de granizo aos ritos do cotidiano.
“A exposição reivindica a descoberta como método: a capacidade de encontrar aquilo que não se procurava e estabelecer novas relações entre imagens, tempos e matérias, mantendo em órbita memórias e sensibilidades que o conflito moderno insistiu em dispersar”, descreve o texto curatorial.
A exposição é um marco da trajetória de Trojany, que é natural de Icó, mas intercala sua vida artística e profissional com Fortaleza. Foi assim que começa a investigar as raízes negras e indígenas do território onde cresceu, observando os desdobramentos coloniais, tecnológicos e modernizantes da vida rural.
Com uma abordagem ampliada do conceito de arquivo, traça interações entre corpo, máquina, natureza, memória e virtualidade por meio de instalações, sites, taxidermia, artes digitais, filmes e performances. A mostra entra no cenário de pesquisas e andanças da artista, o que permitiu um acervo heterogêneo.
Formações
Além da abertura, no próximo sábado (15), ocupando o térreo e o primeiro andar do equipamento cultural, no domingo (16) a programação se desdobra em ações formativas e de mediação abertas ao público.
Pela manhã, das 9h às 12h, a artista ministra a oficina “Comer o Oráculo”, que se propõe como uma roda de conversa e imersão nos seus processos criativos e pesquisas; à tarde, das 14h às 16h, o curador Rodrigo Lopes conduz uma visita guiada pelas obras da exposição.
A Exposição conta com o apoio do 14° Edital Ceará das Artes — Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), através da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), Ministério da Cultura e Governo Federal.
