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Abandono escolar no Ceará cai pela metade e atraso escolar recua para 11,8%, aponta Censo

Estado reduziu taxa de abandono de 3% para 1,5% entre 2022 e 2025; indicador de distorção idade-série também apresentou queda significativa
Foto: Tiago Stille/Governo do Ceará

Mais estudantes estão permanecendo e concluindo o ensino médio na rede pública do Ceará. Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono escolar no estado caiu de 3% para 1,5%. No mesmo período, o indicador de distorção idade-série, que mede o atraso escolar, foi reduzido de 18% para 11,8%.

Os dados fazem parte da segunda etapa do Censo Escolar 2025, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), e divulgados nesta sexta-feira (26).

Os números apontam avanços na permanência dos estudantes na escola e na conclusão do ensino médio dentro da idade adequada, refletindo melhorias nos indicadores educacionais da rede pública estadual.

Brasil registra queda na reprovação e no abandono escolar

Em âmbito nacional, os dados do Censo Escolar também revelam uma evolução dos indicadores do ensino médio público entre 2022 e 2025. No período, a taxa de reprovação caiu 62%, enquanto o abandono escolar apresentou redução de 61%. Já a distorção idade-série recuou 28%, ao passo que a taxa de aprovação registrou crescimento de 11%.

Segundo o Ministério da Educação, os resultados acompanham uma trajetória de melhora observada desde 2023, impulsionada pela ampliação de programas estruturantes voltados à educação básica. Entre as iniciativas destacadas estão o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Programa Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e ações relacionadas ao fortalecimento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Pé-de-Meia beneficia quase 490 mil estudantes no Ceará

Outra política apontada pelo MEC como fator de impacto positivo é o programa Pé-de-Meia, lançado em 2024 para incentivar a permanência dos jovens na escola.

No Ceará, 489.722 estudantes foram beneficiados desde a criação do programa. Desse total, 49,7% são do sexo feminino e 50,3% do sexo masculino.

Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, os resultados refletem o fortalecimento das políticas públicas voltadas à permanência e ao sucesso escolar.

“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica. Observamos, ainda, uma melhoria simultânea nos indicadores de abandono, repetência e atraso escolar no Brasil”, afirmou.

Mais jovens permanecem no ensino médio

Outro dado destacado pelo Inep mostra que menos estudantes estão abandonando os estudos entre um ano letivo e outro. De acordo com o presidente do instituto, Manuel Palacios, a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28% entre 2022 e 2025.

“Um resultado novo, produzido pelo Inep, observa o que aconteceu com os estudantes que deveriam voltar à escola no ano seguinte e indica que a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28% entre 2022 e 2025, o que significa que mais jovens permaneceram estudando. Esse avanço faz bastante diferença: se esse indicador tivesse permanecido no nível observado em 2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio – ou seja, um número muito grande de jovens que poderia estar fora da escola seguiu estudando”, explicou.

Pnad confirma avanço da frequência escolar

Os resultados do Censo Escolar são reforçados por dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o levantamento, a taxa ajustada de frequência escolar líquida entre jovens de 15 a 17 anos passou de 76,8% em 2024 para 80,6% em 2025, alcançando o maior patamar da série histórica iniciada em 2016.

Com isso, a proporção de jovens fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4% em apenas um ano, uma redução de 16,3%.

O resultado supera o ritmo registrado entre 2019 e 2022, quando o percentual de jovens fora do ensino médio passou de 28,6% para 24,7%, representando uma queda de 13% ao longo de quatro anos.