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Conselho do MPF decide se abre investigação contra Paulo Gonet

Colegiado analisa nesta sexta menções ao procurador-geral em mensagens de Daniel Vorcaro encontradas pela Polícia Federal
Paulo Gonet afirmou que teve apenas um encontro com Daniel Vorcaro, de forma brevíssima e banal. Foto: Gustavo Moreno/STF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decide nesta sexta-feira (25) se há elementos para abrir investigação sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, após citações ao nome dele em mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão está marcada para as 10 horas e será transmitida pelo canal do Ministério Público Federal (MPF) no YouTube. O procedimento analisa se as menções comprometem a imparcialidade de Paulo Gonet em assuntos relacionados ao Banco Master.

Como Paulo Gonet preside o CSMPF, a reunião será conduzida pelo vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do. Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois da abertura dos trabalhos, o relator do caso, subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, apresentará o parecer.

Na sequência, os demais integrantes poderão votar sobre a abertura ou não da apuração. O PGR não participará da sessão que analisa o procedimento envolvendo seu nome.

VOTAÇÃO

Caso a maioria defenda a abertura da investigação, um subprocurador-geral poderá ser designado para conduzir a apuração. Se prevalecer a posição contrária, o procedimento poderá ser arquivado.

As citações a Paulo Gonet foram identificadas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, que está preso e teve o aparelho apreendido.

O ex-banqueiro é o principal investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e corrupção.

As mensagens vieram a público depois que o ministro André Mendonça, STF, retirou o sigilo de parte do material. O conteúdo também envolve conversas atribuídas a Daniel Vorcaro com um número relacionado ao ministro Alexandre de Moraes.

MENSAGENS

Segundo a PF, Daniel Vorcaro intensificou o envio de mensagens para o número atribuído a Alexandre de Moraes nos dias anteriores à prisão, ocorrida em novembro de 2025.

No dia 15 de novembro do ano passado, o ex-banqueiro demonstrou preocupação com o avanço das investigações, aliada à possibilidade de ter a prisão decretada.

Na ocasião, Daniel Vorcaro citou Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao questionar se seria possível reverter o avanço das apurações.

“Não conseguimos reverter isso com Paulo [Gonet] ou Andrei [Rodrigues]? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, disse Daniel Vrcaro em mensagem cujo destinatário é um número atribuído a Alexandre de Moraes.

A PF identificou as referências como menções a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. O material, porém, não demonstra que o procurador-geral ou o diretor-geral da PF tenham atuado para interferir nas investigações.

DEFESA

Na semana passada, O Globo publicou uma foto na qual Paulo Gonet aparece com Daniel Vorcaro e outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro durante um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024.

Após a divulgação das conversas, Paulo Gonet pediu ao STF a anulação do relatório da PF que reuniu as citações ao nome dele. O pedido foi relacionado à atuação de André Mendonça na investigação sobre o Caso Master.

O procurador-geral também afirmou que André Mendonça teria investigado Alexandre de Moraes de forma ilegal ao determinar o aprofundamento da apuração sobre o Caso Master.

Segundo Paulo Gonet, essa medida dependeria de autorização do plenário do STF.

A análise do pedido de anulação estava prevista para a última quarta-feira (23), mas a sessão foi desmarcada. Em manifestações recentes, Paulo Gonet negou ter relação de proximidade com Daniel Vorcaro e afirmou que o contato entre os dois foi brevíssimo e banal.

Com informações da Agência Brasil.