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Como jogos online podem incentivar crimes virtuais entre jovens

Plataformas como Discord e Roblox, já criticadas por casos de exposição de menores a crimes virtuais, agora são apontadas como ambientes que podem incentivar o ingresso de adolescentes no cibercrime
A economia virtual existente dentro dos games contribui para esse cenário (Foto: Reprodução)

O universo dos jogos online, frequentemente associado ao entretenimento e à interação entre jovens, também tem despertado preocupação entre especialistas em segurança digital. Plataformas como Discord e Roblox, já criticadas por casos de exposição de menores a crimes virtuais, agora são apontadas como ambientes que podem incentivar o ingresso de adolescentes no cibercrime.

O alerta é do delegado pernambucano Sérgio Luiz Oliveira dos Santos, que atua no combate a crimes cibernéticos e desenvolve pesquisas na área de cibersegurança no Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR). Segundo ele, muitas práticas ilegais começam dentro dos próprios jogos, inicialmente tratadas pelos jovens como simples “trapaças”.

De acordo com o investigador, o primeiro contato costuma ocorrer por meio de tentativas de obter vantagens indevidas em partidas online, modificar sistemas dos games ou piratear conteúdos digitais. Com o tempo, essas ações podem evoluir para atividades criminosas mais complexas.

“Os jovens começam com tentativas de trapacear ou piratear jogos e podem evoluir para fraudes bancárias ou crimes mais graves“, afirma.

A economia virtual existente dentro dos games contribui para esse cenário. Jogos competitivos movimentam mercados paralelos de itens digitais raros, acessórios e personalizações, que podem alcançar valores elevados.

O interesse financeiro faz com que muitos usuários tentem invadir contas ou desenvolver formas de burlar os sistemas dos jogos para obter itens raros. Nesse processo, entram crimes como golpes financeiros, fraudes via PIX, boletos falsos e movimentações com criptomoedas.

Apesar da crescente sofisticação dos golpes, o delegado afirma que muitos criminosos virtuais ainda possuem conhecimento técnico limitado. Em geral, utilizam ferramentas prontas disponíveis na internet, como kits de phishing e softwares vendidos clandestinamente em fóruns online.

Já a Pesquisa Game Brasil 2025 aponta que mais de um terço das pessoas entre 16 e 30 anos joga online regularmente. Entre elas, a maioria considera os games sua principal forma de entretenimento e interação social.

Mesmo com medidas previstas pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), conhecido como Lei Felca, Sérgio acredita que o acompanhamento familiar continua sendo essencial para reduzir riscos. “Os pais que não acompanham a vida digital dos filhos podem não perceber quando eles começam a ser aliciados”, alerta.

Na avaliação do delegado, a transformação de jovens em criminosos digitais raramente acontece de forma imediata, mas sim em um processo gradual dentro de ambientes virtuais onde os limites entre diversão e ilegalidade acabam se confundindo.

Com informações da Agência Brasil.