Menu

Fenaj questiona responsabilidade editorial da Band após debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Entidade critica formato do encontro exibido no domingo (18), aponta excesso de ataques e provocações e defende regras mais rigorosas para garantir informação de qualidade aos eleitores
Federação Nacional dos Jornalistas critica o espaço dado a ataques pessoais e defende regras para garantir informação de qualidade. Foto: Renato Pizzutto/Band

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus sindicatos filiados questionaram a responsabilidade editorial da TV Bandeirantes após o debate eleitoral entre candidatos à Presidência da República, realizado na noite do último domingo (18). Em nota, a entidade criticou o formato do encontro, que, segundo a avaliação, privilegiou provocações, bordões e ataques pessoais em detrimento da apresentação de propostas e do esclarecimento dos eleitores.

Para a Fenaj, o debate deveria funcionar como um espaço democrático de confronto de ideias e de prestação de informações de interesse público. A entidade afirma, porém, que o formato adotado prejudicou a discussão de temas relevantes para o país.

“O jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático. Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira”, diz o documento.

Fenaj critica regras e condução editorial do debate

Na manifestação, a entidade reconhece a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas questiona as decisões editoriais da emissora e a capacidade das regras de garantir a finalidade jornalística do encontro.

“Reconhecemos a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas questionamos a responsabilidade editorial da emissora, a fragilidade das regras e a ausência de mecanismos capazes de assegurar a finalidade do debate. Não basta oferecer tempo igual aos candidatos. É indispensável garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação”, afirma a nota.

A Fenaj também ressalta que liberdade de expressão e pluralidade não significam dar o mesmo tratamento a fatos e informações falsas. Para a entidade, o jornalismo precisa confrontar versões, contextualizar acontecimentos e exigir respostas dos candidatos.

Entidade aponta ausência de propostas sobre temas prioritários

Outro ponto criticado pela federação é o espaço dedicado a ataques pessoais e slogans, enquanto assuntos como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais teriam ficado em segundo plano.

“É grave quando um debate favorece slogans e ataques pessoais, relegando a segundo plano temas fundamentais como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais. O futuro do país exige propostas concretas, não encenações destinadas à produção de cortes para as redes sociais”, avalia a entidade.

Fenaj defende mudanças nos debates eleitorais

A federação defende que as emissoras revejam os modelos de debates eleitorais e adotem regras mais efetivas para assegurar respostas objetivas, intervenção editorial diante de informações comprovadamente falsas e responsabilização em caso de descumprimento das normas.

Segundo a entidade, a proposta não busca restringir o contraditório nem limitar a liberdade de pensamento dos eleitores, mas garantir o direito constitucional à informação de qualidade e proteger a liberdade de escolha. A nota também alerta para os riscos da normalização da desinformação, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas. Ao final, a Fenaj reafirma o compromisso da categoria com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa da democracia.

“Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras. A sociedade brasileira merece debates à altura de seus desafios. E o jornalismo tem o dever de estar à altura de sua responsabilidade”, conclui o documento.