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Rico Melquiades, que anunciou saída do Brasil por proibição das bets, declara apoio a Flávio Bolsonaro

Influenciador alagoano, que já fez publicidade para casas de apostas e depôs na CPI das Bets, questionou o candidato do PL sobre direitos da população LGBTQIA+; reportagem aponta possível negociação para retomada das plataformas caso ele vença
Influenciador alagoano publicou vídeo ao lado do candidato do PL e o chamou de “Futuro presidente do Brasil”. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O influenciador alagoano Rico Melquiades gravou um vídeo ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e declarou apoio ao senador. A publicação ocorre semanas depois de Rico anunciar que deixaria o Brasil para morar em Portugal, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar medidas contra a atuação das casas de apostas on-line, conhecidas como bets.

Na legenda do vídeo, Rico chamou Flávio de “Futuro presidente do Brasil”. Na gravação, o influenciador questiona o candidato sobre possíveis medidas contra a população LGBTQIA+ caso ele chegue ao Palácio do Planalto.

“Flávio, eu tenho uma pergunta para lhe fazer. De verdade, de todo o meu coração, quando você assumir a Presidência, você vai caçar os gays, vai perseguir, vai tirar o direito deles?”, perguntou. Flávio negou que pretenda perseguir pessoas LGBTQIA+ e afirmou que não compreende a origem desse tipo de questionamento.

“E claro que não, cara. Quando você conversou comigo, queria bater um papo, porque estava tendo muito desse assunto nas tuas redes. Como assim vou perseguir gay? De onde surgiu isso? Eu fico até com uma dificuldade em entender. É lógico que não existe isso”, respondeu.

Rico Melquiades já depôs na CPI das Bets

A relação do influenciador com o setor de apostas também marcou sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal, em maio de 2025. Rico, que já fez campanhas publicitárias para plataformas do segmento, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre contratos de influenciadores com empresas de apostas. Durante o depoimento, ele admitiu ter assinado um acordo com o Ministério Público de Alagoas que evita um processo penal relacionado a investigações sobre divulgação irregular de jogos de apostas on-line. Rico afirmou que o conteúdo do acordo era sigiloso e alegou que houve vazamento de informações.

Rico Melquiades depôs no Senado em 2025 sobre contratos publicitários com plataformas de apostas on-line. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O influenciador negou ter cometido ilegalidades e disse desconhecer supostas atividades de lavagem de dinheiro relacionadas a organizações criminosas.

“Eu fazia [propaganda para] a Blaze. Eu desconheço esse negócio de formação de quadrilha. A minha relação com as plataformas de apostas foi só como influenciador; fiz campanhas publicitárias. Tudo foi documentado de forma legal. Eu sempre segui as regras que eram vigentes na época”, declarou.

Na mesma sessão, ao responder a uma pergunta da senadora Soraya Thronicke, Rico afirmou não conhecer o termo “ludopatia”, usado para designar o transtorno relacionado ao vício em jogos de aposta. A parlamentar afirmou que uma “pandemia de ludopatia está acometendo o nosso País”.

Anúncio de mudança para Portugal ocorreu após medida contra bets

Rico anunciou que deixaria o Brasil em 25 de setembro, data em que Lula editou uma medida provisória para proibir a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas on-line no País. A medida alcança apostas esportivas e jogos on-line, em ambientes físicos e virtuais, e também se aplica a concessões e autorizações estaduais e distritais. As demais modalidades lotéricas já autorizadas por lei não foram incluídas na proibição.

Conforme as informações apresentadas sobre a medida, as empresas de apostas anteriormente autorizadas ficaram impedidas de oferecer jogos ou realizar publicidade no Brasil. O prazo para retirada de materiais publicitários e patrocínios em meios físicos e peças de publicidade exterior terminou em 5 de outubro.

Flávio Bolsonaro criticou proibição das casas de apostas

Na data em que a medida foi anunciada, Flávio Bolsonaro criticou a decisão do governo Lula. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o candidato do PL chamou a medida provisória de “estelionato eleitoral” e “solução fajuta”, além de acusar o presidente de agir de forma oportunista. Nesta segunda-feira (19), uma reportagem do Brasil de Fato apontou que casas de apostas on-line estariam negociando com o PL uma possível retomada das atividades no Brasil a partir de segunda-feira (26), caso Flávio vença a eleição presidencial no domingo (25).

Segundo o site, uma fonte anônima ligada à BetMGM afirmou que “existe um acordo para que, se o Flávio ganhar, as bets voltem já na segunda pós-eleição”.

A suposta negociação foi atribuída à fonte ouvida pelo veículo. As informações apresentadas não detalham os termos de um eventual acordo nem confirmam oficialmente a existência de um compromisso para a retomada das plataformas.