O Ceará é a União Federativa (UF) com mais assassinatos de pessoas trans no Brasil no primeiro trimestre de 2023. Além disso, no mesmo período, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans na América Latina e no Caribe. Os dados são da Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (Rede Trans) e do projeto Travessia.
Em pesquisa passada, também divulgada pela Rede Trans, em relação aos assassinatos de janeiro e fevereiro de 2023, o Brasil registrava 22 mortes de pessoas trans. Ou seja, só em março, um total de 14 pessoas dessa população foram assassinadas, o que equivale a um aumento de cerca de 63,6% na estatística. Na pesquisa, o Ceará já ocupava a primeira posição, com quatro assassinatos no primeiro bimestre.
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Em janeiro, fevereiro e março deste ano, foram registrados 36 assassinatos de pessoas trans no Brasil, 30 mortes a mais que no país segundo colocado, a Colômbia (6). Os demais países que completam a lista são: Peru (5), México (4), Equador (3), Argentina (1), Guatemala (1), Paraguai (1) e Uruguai (1). Dentre as vítimas brasileiras, duas delas tinham apenas 16 anos e 66% eram pardas ou pretas.
Em relação aos estados, o Ceará foi a unidade federativa com mais assassinatos da população no primeiro trimestre do ano, com sete (um a mais que o total da Colômbia, segundo país com mais assassinatos de pessoas trans). Minas Gerais e São Paulo estão na segunda posição, com quatro assassinatos cada, e Bahia, Pará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte estão em terceiro, com três cada.
No ano passado, de acordo com o Dossiê Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras, da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 131 pessoas trans e travestis foram assassinadas no Brasil.
