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O que pode ser feito para menos bebês perderem a vida no parto?

Principal causa da mortalidade infantil no mundo de crianças antes de 5 anos é o parto prematuro. Em Fortaleza, 186 bebês morreram nessa condição este ano
Divulgação

Os partos prematuros são a principal causa da mortalidade infantil antes dos cinco anos no mundo. Em Fortaleza, dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) apontam que, em 2022, 186 bebês prematuros vieram a óbito após o parto. O recém-nascido é considerado prematuro quando nasce antes da 37° semana de gravidez – uma gestação completa varia entre 37 e 42 semanas.

Na Capital, entre janeiro e outubro deste ano, foram registrados 5.149 partos prematuros. Os números são referentes aos partos realizados em maternidades federais, estaduais, municipais e privadas. Somente em unidades municipais, foram contabilizados 758 casos de prematuridade, o que equivale a 10,2% do total de partos tanto cesáreos quanto normais realizados na rede pública de Fortaleza.

Ao OPINIÃO CE, Adriana Melo, assessora técnica da saúde da mulher da SMS, explica que os principais fatores causadores da imaturidade são a qualidade da assistência pré-natal e os cuidados com a saúde da mulher durante o período de gestação. Contudo, doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes e obesidade também influenciam na prematuridade do bebê.

Segundo a especialista, contabilizando maternidades públicas e privadas, Fortaleza tem um percentual de imaturidade (16%), maior que o do Brasil (12,4%). Isto é explicado pela Capital ser um centro com grande número de leitos neonatais, fazendo com que a cidade seja o destino de muitos partos de risco oriundos do interior do Estado e de outros municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Para a gestora, não há influência da qualidade das maternidades, principalmente as públicas, nesse número elevado de partos prematuros na cidade. “A assistência da maternidade nesses casos ocorre somente no momento do parto, de forma urgente. Geralmente, quando locais não especializados recebem casos prematuros, é indicada que seja feita a transferência para unidades que possuem especialidade em partos de alto risco, que são as que possuem UTIs neonatais que possam manter os bebês após o nascimento.”

O pediatra Carlos Augusto também explica que as maternidades não têm influência nessa quantidade elevada de prematuros. Entretanto, a qualidade da estrutura e do atendimento dos hospitais que realizam o pré-natal das gestantes é fundamental para evitar que as taxas de bebês imaturos aumentem em Fortaleza.

DADOS DO CEARÁ

De acordo com dados da Secretaria de Saúde (Sesa) do Estado, foram registrados 11.732 nascimentos de bebês prematuros no Ceará entre janeiro e outubro deste ano. Em comparação com o número total de nascimentos no estado, os prematuros representam 13,6% do total. A quantidade absoluta ainda é menor que a de 2021, quando foram quantificados 14.850 partos prematuros onde a criança nasceu com vida.

Quanto à mortalidade desses bebês prematuros, foram registradas 604 mortes. Dentre essas baixas, 95 foram com menos de 22 semanas; 161 entre 22 a 27 semanas; 131 entre 28 a 31 semanas; 217 entre 32 e 36 semanas e 184 entre 37 e 41 semanas. Além disso, de 37 semanas em diante, quando o bebê não é mais considerado prematuro, foram registradas 185 mortes. Baixas não informadas ou ignoradas totalizam 42.

Na Capital, a gestante conhece no terceiro trimestre a maternidade na qual será realizado seu parto ou que será atendida nos casos de intercorrências no pré-natal e também no puerpério. Atualmente, a Rede municipal é formada por Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC), Hospital Distrital Gonzaga Mota Barra do Ceará (Gonzaguinha Barra Do Ceará) e Hospital Distrital Gonzaga Mota José Walter (Gonzaguinha José Walter), Hospital e Maternidade Dra. Zilda Arns Neumann (Hospital da Mulher de Fortaleza), que acolhe pacientes via Central de Regulação e o Hospital Distrital Gonzaga Mota de Messejana (Gonzaguinha de Messejana) que encontra-se em obras de requalificação.

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