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Lula abre debate em reunião na ONU e Trump discursa logo em seguida

A Assembleia Geral, este ano espera mais de 70 chefes de Estado
Segundo a versão mais recente do discurso, o presidente brasileiro não deve mencionar Trump nominalmente. Foto: ONU/Loey Felipe

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a assumir a tribuna da Assembleia Geral, seguido pelos Estados Unidos, anfitrião da sede das Nações Unidas, em Debate Geral de líderes internacionais nas Nações Unida nesta terça-feira (22).

Sob o tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que gera resultados para todos”, a Assembleia Geral, este ano estão sendo esperados mais de 70 chefes de Estado e 45 de governos, 50 ministros e 11 vice-presidentes além de um príncipe-herdeiro. Ao todo, a ONU organizará 166 eventos paralelos e seis encontros de alto nível. 

O evento, conhecido como Semana de Alto Nível, acolhe representantes dos 193 Estados-membros da ONU, de agências humanitárias, do setor privado, da sociedade civil além de milhares de jornalistas de todo o mundo.

Os Estados-membros fizeram 1.553 solicitações de reuniões para suas delegações, que são realizadas em cabines temporárias instaladas na ONU somente para encontros bilaterais.

Ao todo, foram emitidas mais de 18 mil identificações para integrantes das delegações dos países.

O novo presidente da Assembleia Geral, Khalilur Rahman, lembra que este é um momento ímpar na história da ONU quando a organização atravessa uma “crise de confiança” e “restaurar esta confiança” será sua missão no mandato.  Para ele, é preciso ouvir o que os líderes internacionais têm a dizer.

O que esperar da fala de Lula?

Segundo a versão mais recente do discurso, o presidente brasileiro não deve mencionar Trump nominalmente — ao menos não em tom de crítica.

A soberania nacional e a defesa da democracia devem ocupar posição de destaque, segundo membros do governo e diplomatas envolvidos no planejamento. O presidente também pretende defender o multilateralismo e mudanças na estrutura da ONU, além de abordar as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e a situação em Gaza.

Outro assunto que ganhou importância nos últimos dias é o combate ao crime organizado. A expectativa é que Lula defenda a cooperação internacional no enfrentamento às facções, mas preserve a ideia de que políticas de segurança dentro do território brasileiro devem respeitar a soberania do país.

Nas relações comerciais, Lula deverá criticar a imposição unilateral de barreiras tarifárias, sem necessariamente transformar a fala em um ataque direto ao governo americano.

Temas em debate e países de língua portuguesa

Este ano, a Assembleia escolheu temas como subida do nível do mar, combate ao racismo, preparação para pandemias, direito ao desenvolvimento, ação climática e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como encontros de alto nível.

Em sua conta numa rede social, o secretário-geral António Guterres declarou aos líderes, que desembarcam em Nova Iorque para a Assembleia Geral, que o mundo precisa de diálogo internacional, cooperação e ação. 

Dentre os países de língua portuguesa, Angola também deverá discursar nesta terça-feira como último país da parte da manhã.

Na quarta-feira, assumem a tribuna Timor-Leste e Moçambique. Quinta, será a vez de Portugal. Guiné-Bissau está marcada para sexta-feira e Cabo Verde para o sábado.

Inteligência artificial e candidatos a líder da ONU

Um dos focos dos líderes internacionais é ainda o uso da inteligência artificial e o futuro da tecnologia como instrumentos de apoio à humanidade.

Este é também o último ano do português António Guterres no cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Em 1 de janeiro, começa o mandato de uma nova líder ou um novo líder da Casa. 

Como de praxe, os candidatos utilizam o momento da Assembleia Geral para fazer contatos, em plena campanha, com as delegações dos países-membros da ONU especialmente os 15 que formam o Conselho de Segurança que recomenda o nome para o posto de secretário-geral.

Críticas à ONU?

Críticos afirmam que a Assembleia Geral e a ONU estão perdendo relevância, o presidente da Casa e anfitrião das delegações, Khalilur Rahman, comentou dizendo: “A Assembleia Geral tem muito valor. E segue sendo um lugar onde as pessoas se reúnem nos mais altos níveis, em um ambiente seguro, para definir o melhor caminho a seguir.”

O Debate Geral segue até a próxima segunda-feira (28), sendo seguida pelos trabalhos de suas Seis Comissões até o final de dezembro.