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Ciro diz que segue considerando motim movimento da PM liderado por Wagner

Pré-candidato tucano diz que errou ao personalizar embate com Capitão Wagner, devido ao "amor cego pelo Cid"
Ciro Gomes e Capitão Wagner devem estar juntos em chapa majoritária para Eleições 2026. Crédito: Reprodução/Redes sociais

Pré-candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB) afirmou que continua considerando como um “motim” o movimento de policiais militares do Ceará liderado há mais de uma década pelo hoje aliado Capitão Wagner. A declaração foi dada em entrevista à TV Russas, durante visita ao município, onde recebeu o título de cidadão honorário na sexta-feira (3). Na agenda, Ciro também intensificou articulações políticas no Vale do Jaguaribe.

A fala chama atenção por conta da aliança de Ciro e Wagner. Segundo o tucana, embora tenha revisto a forma como tratou o atual aliado, sua avaliação sobre o episódio permanece a mesma.

“Algumas coisas eu continuo pensando a mesma coisa que eu penso. A motivação ali era o motim da polícia. Eu tenho uma opinião clara de que isso não deve ser a linguagem para consertar qualquer direito que seja”, afirmou Ciro Gomes.

Um motim é considerado crime quando envolve a atuação coletiva de militares ou agentes públicos em desobediência, resistência à autoridade ou quebra da disciplina institucional. Nesses casos, a legislação brasileira prevê punições específicas no Código Penal Militar, podendo incluir reclusão, a depender da gravidade da conduta e dos efeitos provocados à ordem e à hierarquia.

Arrependimento por ataques pessoais

Segundo Ciro, o arrependimento diz respeito à maneira como reagiu às críticas de Wagner ao então governador e hoje senador Cid Gomes (PSB), seu irmão.

“Eu não quis escutar os argumentos dele, porque ele passou a atacar o Cid e eu tinha esse amor cego pelo Cid. Acabava defendendo o Cid e atacando o Wagner no pessoal”, disse.

Na entrevista, Ciro afirmou que pediu desculpas ao ex-deputado federal e atribuiu a mudança de postura ao reconhecimento de que exagerou nas críticas.

“Quando eu chego à conclusão de que falei uma bobagem, eu peço desculpa. Não me custa nada.”

A declaração representa uma inflexão no discurso adotado por Ciro nos últimos anos. Em entrevistas recentes, ele já havia dito que foi “irresponsável” em parte das críticas dirigidas a Wagner e atribuído sua postura anterior à influência da relação familiar com Cid Gomes.

Histórico de embates

A aproximação entre Ciro e Capitão Wagner ocorre apesar de um histórico de confrontos públicos. Durante os movimentos de policiais militares, Ciro foi um dos principais críticos de Wagner, acusando o então deputado de incentivar uma paralisação considerada ilegal.

Em fevereiro de 2020, durante o motim da Polícia Militar, Cid Gomes chegou a dirigir uma retroescavadeira contra um bloqueio feito por policiais amotinados em Sobral e acabou sendo baleado. Na época, Wagner declarou que concederia uma condecoração ao policial responsável pelo disparo caso fosse governador, afirmação que aprofundou o rompimento entre os dois grupos políticos.

Nos últimos meses, porém, Ciro e Wagner passaram a atuar politicamente juntos na construção de uma frente de oposição ao grupo liderado pelo governador Elmano de Freitas (PT) e pelo ministro Camilo Santana (PT). A visita a Russas integra justamente a agenda de articulação dessa aliança no interior do Ceará.