Menu

Lula indica que participará de debates e foca em abstenções

Chefe do Executivo reuniu governadores e senadores que foram eleitos e projetou os próximos 20 dias de campanha.
Lula recebeu Luizianne Lins e Marília Arraes, eleitas senadoras por Ceará e Pernambuco, respectivamente. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu aliados políticos, na noite desta segunda-feira (5), para avaliar o resultado do primeiro turno das eleições e projetar os próximos 20 dias de campanha. No encontro, o petista pediu diálogo com quem se absteve e classificou Flávio Bolsonaro (PL) como “a cara do sistema”. 

A ocasião reuniu nomes de candidatos que venceram no primeiro turno, como os governadores Elmano de Freitas (PT), do Ceará, Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, Rafael Fonteles (PT), do Piauí, e Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba, todos reeleitos, além de senadores eleitos, como a cearense Luizianne Lins (Rede). 

Lula mostrou otimismo com a reeleição e citou, como exemplo, o pleito de 2006, em que ampliou sua vantagem em relação ao seu adversário daquele ano, Geraldo Alckmin, seu atual vice-presidente. “Eu estou convencido de que não há nenhuma razão social, econômica e política para não sermos eleitos no segundo turno”, disse. 

O petista indicou que, a partir de agora, deverá participar de debates — os convites no primeiro turno foram recusados. “Agora é tête-à-tête. Um contra um”, brincou. 

Outro ponto abordado no encontro foi a busca por novos votos e Lula reconheceu que o público em disputa é menor. “Os neutros estão menores”, disse. Por isso, acredita que devem trabalhar para reverter as abstenções, que chegaram a 21%, maior percentual desde 1998. 

“Não briguem com o eleitor. Não falem mal porque o eleitor não votou na gente. Temos que ter humildade. São 30 milhões de pessoas que não foram votar. Não surgiu uma terceira via. O que aconteceu então com essas pessoas? Temos que tentar convencer essas pessoas. A responsabilidade do desinteresse deles é nossa”, avaliou. 

Sua convicção na vitória, disse Lula, está inclusive na área econômica e citou o aumento do salário mínimo acima da inflação no seu governo. “Na verdade, temos que ter muito cuidado. Toda vez que se fala em dureza fiscal, o que está em jogo é a política de inclusão social. É tirar os benefícios dos pobres”. 

Críticas a Flávio e crise no STF

Lula enxerga que, nos próximos 20 dias, é momento de colocar para fora “o que não colocamos o ano inteiro” e citar a biografia dos dois candidatos. “Vamos tentar desnudar o que está por trás da eleição de um possível herdeiro do fascismo no país”, disse. 

“Flávio Bolsonaro é a cara do sistema. A única candidatura antissistema é a nossa. Temos que mostrar isso pras pessoas”, completou. 

O presidente acredita que sua campanha está sendo afetada pela crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), após as revelações de envolvimento de ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. 

“Estamos carregando nas nossas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que se revelou no STF. Temos que discutir com a sociedade qual o critério para indicar candidato a ministro da Suprema Corte. A hora é da sociedade discutir isso. Ninguém está acima da lei. Nem os ministros do STF. É um tema difícil, mas necessário”, reforçou Lula. 

O presidente também tocou num dos temas mais debatidos pela sociedade, que é a segurança pública. Ele afirmou que hoje os estados não dão conta do aumento do crime organizado e defendeu a votação da PEC da Reforma da Segurança Pública “o mais rápido possível”.  

“O crime organizado está atuando quase como uma multinacional. Hoje a Polícia Federal só pode entrar nos casos se os crimes são federalizados e muitos governadores não aceitam. Esse é um assunto que vamos ter que discutir! O estado tem que proteger o trabalhador, o bandido ir pra cadeia e o povo recuperar seu território. Os governadores precisam ajudar a aprovar. Isso tem que ser votado já!”, finalizou.