O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (1º) que poderá aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil. A medida é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas consideradas “desleais” e prejudiciais ao comércio norte-americano.
A proposta ainda não entrou em vigor e passará por uma fase de consulta pública e negociações diplomáticas antes de uma decisão final, prevista para ocorrer até 15 de julho de 2026. Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão políticas relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, como o Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.
A informação surge poucos dias depois do encontro entre Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente, e o presidente americano Donal Trump. Nesta terça-feira, o senador afirmou que pediu a Trump para não impor tarifas a empresas brasileiras. Na reunião em Washington, na semana passada, Flávio esteve com Trump, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo ele, o apelo foi feito diretamente aos três.
“Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras”, disse Flávio, em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.
Produtos estratégicos ficam fora da tarifa
Apesar da proposta de taxação ampla, os Estados Unidos decidiram excluir uma série de produtos considerados estratégicos para sua economia ou de difícil substituição.
Entre os itens que ficaram de fora da possível tarifa de 25% estão:
- Carne bovina;
- Café;
- Terras raras;
- Alguns metais e minérios;
- Aeronaves e peças de aeronaves;
- Petróleo bruto e derivados;
- Produtos farmacêuticos;
- Fertilizantes;
- Produtos químicos orgânicos;
- Frutas e nozes.
Segundo o USTR, as exceções foram definidas para evitar impactos econômicos relevantes no mercado norte-americano e garantir o abastecimento de setores considerados essenciais.
Investigação começou em 2025
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento legal utilizado pelo governo norte-americano para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país. O relatório final concluiu que algumas políticas e práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” e criariam obstáculos ao comércio e aos investimentos dos Estados Unidos.
De acordo com o documento, essas ações gerariam prejuízos para empresas norte-americanas e poderiam justificar a adoção de medidas corretivas, incluindo novas tarifas ou restrições comerciais.
Consulta pública vai até julho
Antes da decisão definitiva, o governo norte-americano abriu um processo de consulta pública para receber manifestações de empresas, entidades e cidadãos.
O calendário prevê:
- Envio de comentários até 1º de julho;
- Audiência pública em 6 de julho;
- Possível implementação das tarifas em 15 de julho de 2026.
Segundo o USTR, mais de 30 testemunhas participaram da investigação, que também recebeu quase 300 manifestações formais durante a apuração.
EUA citam divergências com o Brasil
O embaixador norte-americano Jamier Greer afirmou que a investigação foi iniciada a pedido do presidente Donald Trump, diante de preocupações relacionadas à política comercial brasileira. Segundo ele, houve reuniões e negociações entre representantes dos dois governos ao longo do último ano, mas ainda permanecem divergências significativas.
“Ao longo do último ano, o presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas”, declarou.
Greer acrescentou que espera avançar nas negociações com o governo brasileiro antes do prazo final para eventual adoção das medidas.
Impactos ainda dependem de decisão final
A possível tarifa de 25% ainda não é definitiva e dependerá do resultado das consultas públicas e das negociações entre Brasília e Washington. Caso seja confirmada, a medida poderá atingir diversos setores exportadores brasileiros, embora produtos relevantes da pauta comercial com os Estados Unidos, como café, carne bovina e aeronaves, tenham sido preservados da proposta inicial.
