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Flávio diz que mentiu sobre Vorcaro por conta de contrato de confidencialidade

O senador afirmou que não há irregularidades e que recurso pago pelo banqueiro foi integralmente investido no filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu, nesta quinta-feira (14), que omitiu sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro por causa de uma cláusula de confidencialidade, previsto no contrato de financiamento do filme biográfico sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eu não falei que era mentira [o financiamento de Vorcaro]. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar”, disse, em entrevista à emissora Globonews.

A fala de Flávio contradiz um vídeo publicado pelo Intercept Brasil em que o repórter Thalys Alcântara questiona a ligação do filme com Daniel Vorcaro. Na ocasião, o senador responde: “É mentira! De onde você tirou isso?”, questiona, rindo. Em seguida, se esquivando do jornalista, diz: “Militante não dá, cara”.

Antes da troca de mensagens, áudios e documentos virem à torna pela reportagem do  próprio Intercept Brasil, o pré-candidato à Presidência da República declarou que nunca tinha tido contato com o dono do Banco Master.

“Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual? Isso gera multa, isso gera exposição dos investidores”, disse senador.

Na entrevista desta quinta-feira (14), Flávio reforçou que o contato com Vorcaro se tratava exclusivamente do filme “Dark Horse” e que não há irregularidades. “Se eu falo assim, ‘eu conheço o Vorcaro’, a pergunta seguinte qual ia ser? ‘Qual a sua relação com ele?’ Eu ia ter que falar do filme. Foi só por isso que eu me eximi”, alegou.

O senador negou ainda que os recursos aportados para o longa tenham tido outro destino. A Polícia Federal está investigando se o dinheiro esteja custeando o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, seu irmão, que mora nos Estados Unidos.

“Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, garantiu Flávio.  

Entenda

A reportagem do Intercept Brasil, publicada ontem (13), revelou que Daniel Vorcaro pagou pelo menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) para financiar o filme biográfico “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Bolsonaro.

Através de áudios, trocas de mensagem e documentos, o valor total negociado chegaria a US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões). Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e pré-candidato a presidente, aparece cobrando Vorcaro em um áudio.

“Está num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, e fico preocupado com o efeito contrário do que a gente sonhou para o filme”, afirma o senador em um dos áudios.

Entre fevereiro e maio de 2025, foram seis operações para financiar o filme. Diálogos entre os dois foram divulgados pelo site. Uma das conversas ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.

Parte do dinheiro foi transferido pela Entre Investimentos e Participações, companhia que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.