O senador Cid Gomes (PSB) afirmou que considera constrangedora a possibilidade de não votar no próprio irmão, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), diante do cenário de provável enfrentamento político nas eleições de 2026 no Ceará. A fala foi feita ao jornal O Globo e publicada nesta quarta-feira (8).
A declaração ocorre em meio ao distanciamento entre os dois, que devem estar em campos opostos no pleito estadual. Enquanto Cid integra a base do governador Elmano de Freitas (PT), Ciro desponta como principal nome da oposição na disputa pelo Governo do Estado.
Candidatura de Ciro é vista como inevitável
Em entrevista publicada nesta quarta-feira (8), Cid avaliou que a candidatura de Ciro ao Governo do Ceará tende a se consolidar, diante da ausência de nomes competitivos no grupo oposicionista, que reúne partidos como PL e União Brasil.
Mesmo reconhecendo o cenário, o senador reafirmou alinhamento com Elmano e disse que atua para garantir espaço ao PSB na chapa majoritária, com a indicação do deputado federal Júnior Mano para o Senado.
Senado fora dos planos de Cid
Cid Gomes também descartou disputar uma vaga ao Senado nas próximas eleições. Segundo ele, em um cenário hipotético de candidatura, não haveria apoio do irmão, considerando os compromissos políticos assumidos por Ciro com aliados.
O parlamentar ainda indicou que poderia apoiar o irmão em uma eventual disputa presidencial, mas condicionou o apoio à reeleição do presidente Lula (PT) à ausência de alternativas políticas.
De acordo com Cid, o objetivo do PSB no Ceará é ampliar sua representação, com a meta de eleger cinco deputados federais e 13 estaduais. A estratégia ocorre em meio à reconfiguração partidária no Estado, intensificada após a janela partidária.
Origem do rompimento
O afastamento entre Cid e Ciro se consolidou nas eleições de 2022, quando divergiram sobre a condução do PDT no Ceará. Cid defendia a então governadora Izolda Cela como candidata à reeleição, enquanto Ciro apoiou o nome do ex-prefeito Roberto Cláudio.
A disputa interna levou ao rompimento entre PDT e PT no Estado, resultando na candidatura de Elmano de Freitas, que venceu o pleito.
Em 2023, Cid deixou o PDT e se filiou ao PSB, acompanhado de lideranças políticas e gestores municipais, aprofundando o distanciamento em relação ao irmão e redesenhando o cenário político cearense.
