O prefeito de Moraújo, Ruan Lima (PSD), teve o seu mandato cassado pela Justiça Eleitoral. O juiz eleitoral Fábio Medeiros Falcão de Andrade, da 64ª Zona Eleitoral de Coreaú, decidiu, além da cassação do gestor municipal, da vice-prefeita Ana Araújo (PSD) e da vereadora Eline Freire (PSD), pela inelegibilidade dos três políticos e de demais cabos eleitorais por oito anos.
A decisão foi confirmada após a negativa de recurso impetrado pelo grupo, que já havia sido condenado pela Justiça no último dia 21 de julho, com base na mesma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).
O grupo foi acusado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por compra de votos, que caracteriza abuso de poder econômico e político. Eles ainda podem recorrer da decisão no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).
A decisão da Justiça Eleitoral, que utilizou como base para a condenação depoimentos, áudios, listas de eleitores e dados extraídos de celulares apreendidos, aponta que eleitores foram aliciados com pagamentos em dinheiro, promessas de emprego e demais vantagens em troca de apoio político.
Conforme os autos, o grupo possuía um sistema de controle dos beneficiados por meio de listas organizadas pelos cabos eleitorais, com financiamento coordenado por Alexandre Magno de Oliveira Lima, pai do então candidato Ruan Lima, que venceu o pleito municipal.
“A análise do conjunto probatório constante dos autos conduz à conclusão de que o investigado Ruan Lima praticou condutas que caracterizam captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico e político, aptas a comprometer a normalidade e a legitimidade do pleito”, destaca a decisão.
Dentre os cabos eleitorais que participaram do esquema, além da vereadora Eline e do pai do prefeito, estão Sheila Araújo Tavares, Orlandy Cunha da Silva e Osvânia Dourado de Aguiar Oliveira, que também foram declarados inelegíveis; e Elizaldo Santiago de Albuquerque e José Sampaio Aguiar Filho, que não tiveram penas aplicadas por “ausência de prova suficiente de suas participações ou anuência na prática dos atos ilícitos apurados”.
Depoimentos que constam nos autos mostram que o prefeito Ruan não apenas consentia no esquema, como “participava ativamente da entrega de valores a eleitores”, utilizando os cabos eleitorais para fazer os repasses.
Uma das testemunhas, Creuza Raimunda Ananias, declarou ter recebido R$ 5.000,00 em espécie, por intermédio da cabo eleitoral Osvânia. O próprio candidato, segundo ela, teria ido pessoalmente à sua residência cobrar a devolução da quantia após a eleitora manifestar intenção de não mais apoiar sua candidatura.
