O presidente Lula (PT) afirmou, em seu discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A fala faz referência à influência dos Estados Unidos na América Latina e o risco de interferência dos EUA nas eleições deste ano, o qual a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como “crítico”. Ao fim do seu discurso, o presidente ressaltou que “a democracia brasileira pertence aos brasileiros” e que “o Braisl continuará sendo um país soberano”. “Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”.
Sem citar explicitamente os EUA, o chefe de Estado afirmou que a proximidade da América Latina e do Caribe “com a maior potência militar do mundo” é “inescapável, sobretudo no contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas”, isto é, no desejo de uma nação de exercer influência sobre as outras.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomentem o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos“, afirmou.
Em outro momento de sua fala, o presidente fez críticas ao planejamento dos Estados Unidos de enviar drones militares MQ-9 Reaper para a América do Sul. O país aponta que o movimento faz parte da ampliação de operações antidrogas e antiterrorismo na região. De acordo com Lula, o Brasil não vai terceirizar a responsabilidade de defender as suas fronteiras. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, disse o chefe de Estado. “Precisamos de cooperação”, finalizou.
“O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades. Trabalhadores são roubados, mães perdem seus filhos, policiais não voltaram para as suas casas. As pessoas estão cansadas da violência”, afirmou.
O Governo Federal enviou ao presidente dos EUA, Donald Trump, uma proposta integrada de combate ao crime.
Lula aplaudido
O presidente brasieleiro foi aplaudido pelos presentes ao elogiar a resolução adotada pela Assembleia Geral da ONU, em março deste ano, que reconhece o tráfico transatlântico de africanos escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”
Em sua fala, ele afirmou que a assembleia corrigiu o que chamou de “distorções históricas”. Na sequência, Lula citou ainda a aprovação de uma representação mais precisa do mapa mundi, com menos distorções de tamanho entre os países do norte e do sul global.
“Agora, deve se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e unilateralismo. Democracia e extremismo. Soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos”, disse.
Em outro momento, o chefe de Estado afirma que “as concessões à lei do mais forte já passaram dos limite”.
De acordo com o presidente brasileiro, a guerra é a “falência total da política”. “O ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial. Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista”.
“Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir”, cobrou.
