Menu

Orkut vai voltar? Saiba como apoiar a criação da plataforma

Quem se cadastra recebe um código para gerar um cartão digital de apoiador e compartilhá-lo nas redes sociais
Foto: Opinião CE

O Orkut Büyükkökten, criador da plataforma Orkut em 2004, lançou uma campanha na quinta-feira (8) para reunir interessados em uma nova rede social. O projeto não tem data de lançamento, e depende de decisões que a empresa ainda não anunciou.

A nova página do Orkut traz uma carta de seu fundador e um convite para apoiar a criação da plataforma. A empresa quer reunir milhões de interessados, mas não informa se existe um número mínimo de adesões para levar a ideia adiante.

A campanha também usa os próprios participantes para ampliar sua divulgação. Quem se cadastra recebe um código para gerar um cartão digital de apoiador e compartilhá-lo nas redes sociais. Segundo a política de privacidade da Orkut Inc., esses códigos identificam quantas pessoas chegam ao site por meio dos compartilhamentos.

Por enquanto, o cadastro representa apenas uma manifestação de interesse. Os termos de uso, atualizados em 6 de outubro, esclarecem que a inscrição não garante uma conta na futura plataforma, reserva de nome de usuário ou acesso antecipado.

A empresa também não assume compromisso de lançar o serviço, mesmo que a campanha reúna milhões de apoiadores.

Como participar da campanha para trazer o Orkut de volta?

Quem quiser apoiar a iniciativa pode fazer o cadastro gratuitamente no site oficial do Orkut. É necessário ter pelo menos 18 anos.

Para participar:

  1. Acesse www.orkut.com.
  2. Preencha o formulário com seu e-mail e país de residência.
  3. Se desejar, informe também seu nome e telefone. Esses dados são opcionais.
  4. Conclua a inscrição e use o código fornecido para gerar seu cartão digital de apoiador.
  5. Compartilhe o cartão nas redes sociais, caso queira divulgar a campanha.

O site ainda não oferece acesso a perfis antigos. Também não há indicação de que os usuários poderão recuperar fotos, mensagens ou comunidades da versão encerrada em 2014.

Como seria o novo Orkut?

A ideia de Büyükkökten é recuperar o espírito das antigas comunidades, aproximando pessoas que compartilham interesses. Na carta publicada no site, ele critica o rumo que as redes sociais tomaram, especialmente os algoritmos que disputam a atenção dos usuários e incentivam a permanência nas plataformas.

A inteligência artificial também aparece nos planos para o novo Orkut. Segundo seu fundador, a tecnologia seria usada para aproximar pessoas com afinidades e incentivar amizades, embora ele ainda não tenha explicado como isso funcionaria.

Büyükkökten também manifesta preocupação com a presença de bots e deepfakes, conteúdos manipulados por inteligência artificial. Ele defende uma rede que dê mais espaço às relações entre pessoas reais, recuperando parte da experiência que marcou os primeiros anos das redes sociais.

Até agora, a empresa não apresentou imagens da futura plataforma nem confirmou quais funcionalidades pretende oferecer.

Carta na íntegra

Veja como é a carta na íntegra do Orkut:

Sou eu, o Orkut.

Fiquei em silêncio por um tempo, mas preciso falar com você. O trabalho de toda minha vida tornou-se algo urgente como nunca imaginei. Há mais de duas décadas, criei algumas das primeiras redes sociais. E vi, junto com você, as redes sociais tomarem o rumo errado.

Você lembra de quando a internet era humana? De quando receber uma mensagem de alguém em outro continente parecia mágica? Outra pessoa tinha atravessado o mundo para compartilhar um pedacinho de si. Talvez a conexão durasse só um instante, mas era emocionante porque era real.

O que aconteceu? Vinte anos otimizando tudo para capturar a sua atenção. Feeds construídos em torno do engajamento, não da conexão. Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas.

Eu ainda amo esta indústria, mas é desesperador ver o que ela se tornou. “Aja rápido e quebre coisas”, dizia o lema. Pois bem: as coisas estão quebradas. E agora as máquinas chegaram. A inteligência artificial é uma tecnologia extraordinária, mas está dissolvendo a única premissa que tornou as redes sociais especiais e dignas de serem construídas: a de que havia uma pessoa do outro lado.

Quando as pessoas me contam do que mais sentem falta no orkut.com, elas sempre falam das comunidades. Pessoas que consertavam a mesma moto. Pessoas que pegavam a mesma linha de ônibus. Pessoas que odiavam segunda-feira. Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto.

Você já viu o que a IA está fazendo com as redes sociais: bots, lixo de IA, deepfakes, agentes autônomos descontrolados, conteúdo sintético. Sabe o que a IA não consegue criar?

Alegria. Esperança. Gratidão. Encanto. Diversão. Inspiração. Amor. É isso que faz uma vida valer a pena. Cheguei a este mundo sozinho e sem nada, e de alguma forma acabei com tanto. Cada pedacinho disso veio do amor. Então, encontre-o. Dê de presente. Segure firme. Faça crescer. A vida passa rápido, e as máquinas não vão dar mais dela a você.

Vejo um futuro diferente para a internet, construído em torno de pessoas reais, com um ser humano do outro lado de cada mensagem. Um futuro que não gira em torno de algoritmos, olhos capturados e otimização de tempo na tela. A próxima geração merece um mundo melhor, onde suas comunidades recompensem a gentileza, a curiosidade, a amizade, a confiança e a conexão.

Eu quero viver nesse mundo. Sei que você também quer.

Eu sei como chegar lá: vamos reconstruir a internet pela qual nos apaixonamos. Aquela com pessoas autênticas, conexão real e pertencimento genuíno. Mas não consigo construí-la sem você.

Peço que você se junte ao movimento. Entre em orkut.com e adicione seu nome. Depois, pense em uma pessoa que você gostaria de ter lá com você e envie seu cartão de apoiador para ela. Diga por que pensou nela. Lembre a ela por que você se importa.

Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena. Mas um amigo consegue. Uma comunidade consegue. Então, vamos parar de otimizar para capturar a atenção e começar a otimizar uns para os outros. E vamos fazer isso do jeito que tudo de bom na minha vida aconteceu: com amor, e juntos.

Vamos tornar a internet humana de novo, juntos!