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Gabriel Biologia aponta mudança na campanha de Lula e defende busca por votos fora da esquerda

Eleito deputado estadual com o maior número de votos da esquerda em 2026 para a Alece, o vereador disse que campanha petista ganhou “urgência e ansiedade de virar o jogo” no segundo turno
Parlamentar defendeu que a campanha de Lula busque votos entre eleitores que escolheram outros candidatos ou não votaram no primeiro turno. Foto: Gustavo Calvano/Opinião CE

O vereador de Fortaleza e deputado estadual eleito Gabriel Biologia (Psol) avalia que a campanha do presidente Lula (PT) passou por uma mudança de postura após o primeiro turno das eleições. Em entrevista ao Opinião CE, o parlamentar afirmou que o apoio ao petista “estourou espontaneamente” e que o desânimo dos primeiros dias após o resultado foi substituído por um sentimento de mobilização.

“Os dois dias do baque, do desânimo e da depressão foram substituídos pelo sentimento de urgência e ansiedade de virar o jogo”, afirmou Gabriel, ao comentar a disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.

Segundo o parlamentar, a campanha de Lula também passou a explorar mais as redes sociais, com vídeos gravados pelo próprio presidente e peças menos produzidas. Para Gabriel, a mudança aproxima a comunicação do formato que tem maior circulação nas plataformas digitais.

“A comunicação superproduzida, da câmera parada, do estúdio, iluminação, rebatedor, microfone com qualidade, hoje, nas redes sociais, isso não pega. O que pega é câmera na mão, movimento, entender que aquilo não é algo pasteurizado, roteirizado, e sim um líder falando espontaneamente com a população. Então, isso já me animou bastante”, afirmou.

A entrevista está disponível no canal do YouTube do Opinião CE.

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“Não é o Lula que vai ganhar a eleição”

Gabriel também defendeu que o resultado do segundo turno dependerá de uma mobilização que ultrapasse a estrutura formal da campanha. “Essa vitória no segundo turno vai ser arrancada não pela direção da campanha do Lula, mas pelo povo. É o que eu digo, não é o Lula que vai ganhar a eleição, é o povo que vai eleger o Lula”, declarou.

Na avaliação do parlamentar, a campanha precisa ampliar a busca por votos para além dos redutos tradicionalmente associados à esquerda.

Gabriel Biologia avaliou mudanças na estratégia de comunicação da campanha de Lula para o segundo turno. Foto: Caterine Rocha/Opinião CE

Busca por votos fora da esquerda

Gabriel afirmou que a disputa não será decidida apenas em áreas onde Lula já possui maior apoio. Para ele, a estratégia deve considerar eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno, além daqueles que não compareceram às urnas ou votaram branco ou nulo. “A campanha não vai ser vencida no Benfica” ou em “áreas de esquerda”, afirmou.

Segundo o parlamentar, parte dos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno pode mudar de voto na segunda etapa da eleição.

“Muitos desses viram votos para o Lula. E digo mais, muitos que votaram Flávio no primeiro turno podem e vão votar Lula no segundo turno. (…) Tem o voto da pessoa desinteressada que foi na onda de um, não deu importância à eleição e votou Flávio”, afirmou.

Gabriel também disse que a campanha precisa compreender as razões que levaram eleitores a optar por outras candidaturas ou a não participar do primeiro turno. Ao final, o parlamentar avaliou que parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro pode reconsiderar o voto a partir da percepção sobre os possíveis efeitos de uma vitória do candidato.