Foi lançado, nesta sexta-feira (26), um projeto pioneiro no Ceará: o Telemaré, ação de telemedicina voltada ao atendimento de pescadores durante o trabalho em alto-mar. A ação nasce da parceria entre a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) e a Prefeitura de Itarema, cidade do litoral oeste cearense.
O Telemaré funciona pelo aplicativo Acesso Saúde Ceará e permite que trabalhadores embarcados recebam orientação médica mesmo longe da costa. Na prática, quando um pescador precisar de atendimento durante a viagem, o mestre da embarcação poderá acionar o serviço pelo aplicativo.
A solicitação será direcionada ao Hospital Municipal Natércia Júnior Rios, de Itarema, onde um médico plantonista fará a avaliação inicial e indicará os cuidados necessários.
“É a primeira vez que estamos levando atendimento, ou seja, o SUS, para o alto-mar. O que estamos fazendo é para facilitar a vida dos nossos pescadores e garantir uma saúde de qualidade”, destacou a titular da Sesa, Tânia Mara Coelho
Durante o lançamento, foi realizada uma demonstração do atendimento com participação de médico generalista e apoio de especialista em reumatologia. A ideia é que, quando necessário, o atendimento inicial possa contar com suporte da rede de Telessaúde da Sesa.
Além do atendimento remoto, as embarcações receberão uma maleta com medicamentos, insumos e equipamentos de monitoramento, como tensiômetro e oxímetro. O material foi organizado a partir das principais situações de saúde que podem ocorrer durante as viagens. “Não adianta apenas atender. Em algumas situações, é necessário iniciar uma medicação, seja para dor, febre ou ferimentos, por exemplo”, explicou Tânia Mara Coelho.
A demanda
A proposta embrionária nasce em Itarema, pois o município tem forte presença na pesca profissional e é uma referência nacional na cadeia produtiva do atum. “A gente tinha essa vontade de levar o atendimento até o alto-mar. Procuramos a Secretaria da Saúde do Estado e fomos prontamente atendidos. A saúde agora vai chegar ao alto-mar, e é um privilégio isso acontecer em Itarema”, destacou o prefeito Robério Monteiro Filho.
Para o pescador João Adiodato de Diniz, que atua no alto-mar desde os 12 anos, a iniciativa representa mais segurança nas viagens, que podem durar até 50 dias, a depender da produção. “A gente trabalha à vontade do peixe. Quando ele está querendo, a gente vem rápido. Quando não está, demora”, relatou.
