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Simpósio reúne especialistas em Demonologia e Exorcismo na Capital

Evento promovido pela Comunidade Mariana Oásis da Paz reuniu religiosos e especialistas para discutir o tema sob diferentes perspectivas
O evento reuniu, em Fortaleza, bispos, sacerdotes, exorcistas, teólogos, canonistas e psiquiatras para uma reflexão sobre a Demonologia à luz da Sagrada Escritura, da Teologia, do Magistério da Igreja Católica e da experiência pastoral. Foto: Sercom Arqfor

A Comunidade Mariana Oásis da Paz, com o apoio da Arquidiocese de Fortaleza (Arrqfor), realizou, nos dias 18 e 19 deste mês, o I Simpósio de Demonologia e Exorcismo.

O evento reuniu, em Fortaleza, bispos, sacerdotes, exorcistas, teólogos, canonistas e psiquiatras para uma reflexão sobre a demonologia à luz da Sagrada Escritura, da Teologia, do Magistério da Igreja Católica e da experiência pastoral.

A programação presencial ocorreu no Auditório Central da Faculdade Católica de Fortaleza e contou com sacerdotes, seminaristas, leigos que atuam nos ministérios de Oração, Cura, Libertação e Aconselhamento, além de outros interessados no tema.

ABERTURA

A abertura ficou a cargo do arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, que também presidiu a Santa Missa de abertura.

“A primeira coisa que eu quero dizer para vocês, embora não tenha falado isso inicialmente, é que aquilo que o conteúdo apresentado neste simpósio é científico. Não é fantasia. Não é aquilo que a gente vê nos filmes. Não é aquilo que a gente vê, às vezes, pela tradição popular. Não é a fantasia que criamos pelo medo que nos fizeram desenvolver dentro de nós”, disse o arcebispo.

Entre os destaques do simpósio esteve o padre Pedro Paulo Alexandre, exorcista da Arquidiocese de Florianópolis e presidente da Secretaria de Língua Portuguesa da Associação Internacional dos Exorcistas (AIE).

Reconhecido pela atuação na formação de exorcistas, o sacerdote abordou as Diretrizes sobre o Ministério dos Exorcismos à luz do Ritual vigente da Igreja Católica.

Foto: Sercom Arqfor

O religioso também apresentou aspectos pastorais relacionados à distinção entre oração de libertação e exorcismo, além da atuação dos ministros de oração diante de possíveis manifestações extraordinárias.

Também integrou a programação Dom André Vital, bispo da Diocese de Limoeiro do Norte e mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana. A reflexão tratou da Demonologia nos Evangelhos e do ministério libertador de Cristo.

Outro conferencista foi o padre Antônio Gomes Macedo Júnior, presbítero da Arqfor, mestre em Teologia pela Universidade de Navarra, auxiliar de exorcista e em processo de ingresso como sócio agregado da Associação Internacional dos Exorcistas.

A palestra do sacerdote tratou da importância da Demonologia no contexto dos estudos teológicos.

PARTICIPAÇÃO

O simpósio contou ainda com o padre Fellinto de Oliveira Britto, exorcista da Diocese de Tianguá, psicólogo, diretor espiritual de seminário e reitor do Santuário Diocesano de Adoração Eucarística.

Mauro Martins, médico e auxiliar de exorcista, abordou o discernimento entre patologias psiquiátricas e possíveis fenômenos espirituais. A contribuição buscou considerar tanto os aspectos médicos quanto os espirituais nas situações apresentadas.

Também participaram os padres David Piter, exorcista da Diocese de Quixadá e membro da Associação Internacional dos Exorcistas, e Diogo Jairo Rebouças, exorcista da Diocese de Limoeiro do Norte, membro da AIE e pós-graduando em Angelologia e Demonologia.

Um dos responsáveis pela organização do evento, o padre David Piter explicou que a iniciativa surgiu do desejo de promover uma reflexão séria e fundamentada sobre a demonologia e o exorcismo, evitando abordagens que se afastassem dos ensinamentos da Igreja.

Segundo o sacerdote, o objetivo foi ajudar os participantes a compreender melhor a temática a partir da Sagrada Escritura, da tradição e do ensinamento da Igreja Católica.

“Nós tivemos o desejo de partilhar sobre a demonologia e o exorcismo para ajudar as pessoas a conhecerem melhor esse assunto, a partir da verdade que a Sagrada Escritura transmite e daquilo que a Igreja pensa sobre esta temática, que faz parte da Teologia”, afirmou David Piter.

FÉ E FORMAÇÃO

O presbítero avaliou que a participação expressiva também revelou a fé e a busca por formação dos participantes.

“O evento nos surpreendeu desde o início, quando as inscrições se esgotaram nos primeiros dias. As pessoas realmente tinham uma profunda fé e interesse por aquilo que foi abordado”, destacou.

Durante o simpósio, Dom Gregório Paixão destacou a dimensão pastoral do ministério do exorcista e a importância do acolhimento e da escuta daqueles que procuravam a Igreja Católica.

Foto: Sercom Aerqfor

Para o epíscopo, quem tinha a missão de exorcizar precisava exercer, antes de tudo, uma missão de acompanhamento espiritual, buscando compreender a realidade de cada pessoa e discernir cuidadosamente cada situação.

“O exorcista é, antes de tudo, o pai espiritual que deseja ouvir o filho. O exorcista é, antes de tudo, uma pessoa que tem a capacidade, dada por Deus, de acalmar os corações e também, se necessário, exercer a sua função como exorcista ou perceber que há algo extraordinário acontecendo naquele caso particular”, afirmou Dom Gregório.

Dom Gregório Paixão destacou que muitas pessoas que procuravam auxílio passavam por situações complexas e que, por isso, era necessário analisar cada caso com atenção e prudência.

Ao reunir representantes de diferentes áreas, o simpósio também buscou apresentar a demonologia como um tema que fazia parte da reflexão teológica e que deveria ser estudado a partir dos fundamentos da fé católica.

As conferências abordaram aspectos bíblicos, teológicos, pastorais, canônicos, médicos e psicológicos relacionados ao tema.

A proposta foi oferecer aos participantes elementos para compreender as diferentes situações que poderiam chegar ao conhecimento dos sacerdotes e agentes de pastoral.

A programação também reforçou a necessidade de distinguir situações de natureza espiritual de casos que poderiam estar relacionados a questões psicológicas ou psiquiátricas, destacando a importância do discernimento e da atuação responsável.