A água do açude Aracoiaba, no município homônimo, passou a abastecer o sistema hídrico daRegião Metropolitana de Fortaleza (RMF), informou a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). A medida, adotada na última sexta-feira (1º), visa garantir a segurança hídrica dos reservatórios que beneficiam a capital cearense e os municípios vizinhos.
A transferência foi admitida após o monitoramento dos primeiros meses quadra chuvosa de 2026 apontar um tímido aumento no volume de alguns reservatórios, especialmente o açude Pacajus, explica o gerente de Operações da Cogerh, Anatarino Torres.
“Os técnicos da Cogerh ficaram acompanhando o aporte dos reservatórios. Vimos que já tínhamos passado fevereiro e março, e nada do Pacajus aumentar o seu volume. Fizemos as simulações e levamos os cenários para o Comitê de Bacia da Metropolitana e para a Comissão Gestora do Aracoiaba”, expõe.
A decisão foi tomada em conjunto com a sociedade, dentro do que rege a lei de gestão dos recursos hídricos do Ceará. Com isso, a água passou a ser transferida para o açude Pacajus, um dos mais importantes a integrar a rede de abastecimento da RMF.
“Essa perenização é fundamental para que o Pacajus continue, no decorrer do ano, transferindo água para o Pacoti. Através do Pacoti é que Fortaleza é abastecida, passando depois pelo Riachão e, por último, no Gavião, de onde chega até a Estação de Tratamento da Cagece”, detalha o gerente.
A estratégia é favorecida pelo momento hídrico do açude Aracoiaba, que hoje se encontra com cerca de 97% de sua capacidade (158,350 hm³), próximo da cota de sangria. Esse volume elevado possibilita a transferência sem prejuízos ao atendimento das demandas locais — a barragem está inserida na região do Maciço de Baturité.
O reservatório passou quatro anos seguidos sem transferir água para a rede integrada a região mais populosa do Ceará. Dessa vez, de acordo com os estudos técnicos da Cogerh, a operação poderá atingir vazões de até 5 m³ por segundo.
O acerto firmado com a comissão gestora do açude Aracoiaba prevê que a transferência ocorra até o início de setembro, reforçando a capacidade de atendimento a cerca de 4 milhões de pessoas. O processo será continuamente monitorado e ajustado conforme a evolução das condições do reservatório.
Segundo os últimos dados do Portal Hidrológico da Cogerh, o volume médio da bacia metropolitana, somando os 24 reservatórios, é de 54,53%. O Ceará, com seus 144 açudes monitorados, apresenta uma média é de 50,93%.
