O percentual de consumidores de Fortaleza com algum tipo de dívida caiu para 67,8% em agosto, o menor nível dos últimos 12 meses, segundo a Pesquisa de Endividamento do Consumidor, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), da Fecomércio Ceará. Em junho, o índice era de 69,6%, uma redução de 1,8 ponto percentual.
A inadimplência também recuou. O percentual de consumidores com dívidas ou contas em atraso passou de 16,8% em julho para 16,5% em agosto, alcançando o menor resultado dos últimos cinco anos. O prazo médio de atraso é de 76 dias.
Entre os principais motivos apontados para o não pagamento das dívidas estão o desequilíbrio financeiro, citado por 52,4% dos entrevistados, e o adiamento do pagamento para destinar os recursos a outras finalidades, mencionado por 45,9%.
Redução das dívidas favorece consumo
Para Luiz Fernando Bittencourt, presidente da Fecomércio Ceará, a redução do endividamento e da inadimplência cria condições mais favoráveis para o consumo e para a atividade comercial.
“A redução do endividamento e das contas em atraso melhora as condições para que o consumidor volte a utilizar o crédito de forma mais planejada. Para o comércio, esse movimento é positivo porque amplia a capacidade das famílias de realizar compras e contribui para um ambiente de consumo mais saudável. Ainda temos uma parcela relevante da renda comprometida com dívidas, mas a trajetória dos indicadores mostra uma melhora na capacidade de pagamento do consumidor”, afirmou.
Apesar da queda no percentual de consumidores endividados, a parcela da renda comprometida com dívidas aumentou. Em agosto, os consumidores endividados destinavam, em média, 41,8% da renda familiar ao pagamento das dívidas. Em junho, eram 41%. O valor médio das dívidas ficou em R$ 1.887, com prazo médio de nove meses para quitação.
Cartão de crédito lidera uso entre consumidores endividados
O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de crédito utilizada pelos consumidores endividados em Fortaleza, citado por 82,6% dos entrevistados. Os gastos do dia a dia estão entre os principais motivos para recorrer ao crédito. A compra de alimentos a prazo aparece em primeiro lugar, com 57,9%, seguida por tratamentos de saúde, com 31,2%, e aluguel residencial, com 26,5%.
Maioria acompanha orçamento mensal
A pesquisa também mostra como os consumidores organizam as finanças. 78,1% afirmam fazer orçamento mensal e acompanhar gastos e rendimentos. Outros 14,3% fazem orçamento dos rendimentos, mas não conseguem controlar as despesas de forma eficaz. Já 7,6% afirmam não ter orçamento nem acompanhar os gastos. Entre as principais razões apontadas para o desequilíbrio financeiro estão a falta de orçamento e controle dos rendimentos, citada por 44,3% dos consumidores; o aumento dos gastos essenciais, por 31%; e as compras por impulso, por 22,4%.
Inadimplência potencial recua
A taxa de inadimplência potencial ficou em 8,5% em agosto, ante 8,7% em junho. O indicador representa a parcela de consumidores que afirma não ter condições de quitar suas dívidas. Os dados apontam para uma melhora no quadro de endividamento em Fortaleza, com redução tanto do número de consumidores comprometidos com dívidas quanto do percentual de contas em atraso. Apesar disso, a pressão sobre a renda permanece. A evolução do cenário dependerá da capacidade das famílias de controlar novas despesas e administrar o crédito disponível.
