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Prévia da inflação desacelera em junho, mas acumulado em 12 meses sobe

Alta de alimentos e energia elétrica pressionou índice, que atingiu 4,8% no acumulado de um ano
Dentro do grupo alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio apresentou alta de 0,87%. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A prévia da inflação oficial de junho ficou em 0,41%, indicando desaceleração pelo segundo mês consecutivo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) havia registrado alta de 0,89% em abril e de 0,62% em maio.

No acumulado de 12 meses, o indicador alcançou 4,8%. Em maio, a taxa acumulada era de 4,64%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considerado uma prévia da inflação oficial do País, o IPCA-15 antecipa o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência para a política de metas de inflação.

Segundo o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (22), levantamento realizado pelo Banco Central (BC) junto a instituições financeiras apontava expectativa mediana de alta de 0,32% para a inflação oficial de junho.

PRESSÕES

A composição do IPCA-15 leva em conta nove grupos de produtos e serviços. Em junho, os segmentos de alimentação, bebidas e habitação responderam por cerca de dois terços do resultado do índice.

Os alimentos e bebidas avançaram 0,74%, com impacto de 0,16 ponto percentual. Já a habitação registrou alta de 0,72%, contribuindo com 0,11 ponto percentual para o resultado geral.

Também apresentaram variação positiva os grupos artigos de residência (0,36%), vestuário (0,45%), saúde e cuidados pessoais (0,47%), despesas pessoais (0,34%) e comunicação (0,34%).

Em sentido contrário, os grupos transportes (-0,03%) e educação (-0,02%) registraram recuo no período.

ALIMENTOS

Dentro do grupo alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio apresentou alta de 0,87%. Apesar da elevação, o resultado ficou abaixo do registrado em maio, quando o avanço foi de 1,73%.

Entre os itens que mais encareceram estão a batata-inglesa (29,42%), o tomate (17,27%), o feijão-carioca (14,29%) e a cebola (9,54%).

O levantamento do IBGE mostra que, no primeiro semestre, tomate (103,84%), cenoura (103,10%) e batata-inglesa (100,20%) mais que dobraram de preço.

De acordo com o instituto, produtos alimentícios costumam sofrer forte influência das condições climáticas, fator que ajuda a explicar a elevação observada ao longo do período.

CONTA DE LUZ

No grupo habitação, a energia elétrica residencial foi o item que apresentou a maior alta, com avanço de 2,04%.

Entre os 377 produtos e serviços pesquisados, a conta de luz teve o maior impacto individual sobre o índice, contribuindo com 0,08 ponto percentual para o resultado de junho.

Segundo o IBGE, a principal explicação está na adoção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta cobrança de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

As bandeiras tarifárias são definidas mensalmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A previsão de chuvas abaixo da média e a expectativa de aumento do consumo justificaram a cobrança adicional.

O cenário de menor volume de chuvas e temperaturas mais elevadas eleva os custos de operação do sistema elétrico, exigindo maior utilização das usinas termelétricas, cuja geração é mais cara.

TRANSPORTES

Os reajustes tarifários aplicados em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador também contribuíram para a alta da energia elétrica observada no índice nacional.

No grupo transportes, as passagens aéreas ficaram 7,24% mais caras e tiveram impacto positivo de 0,05 ponto percentual no resultado geral.

Por outro lado, os combustíveis apresentaram queda média de 1,22%, reduzindo o índice em 0,08 ponto percentual.

Os maiores impactos negativos vieram do etanol, com recuo de 5,30%, e da gasolina, que caiu 0,73%. Ambos contribuíram com redução de 0,04 ponto percentual cada no IPCA-15.

O óleo diesel também registrou queda em junho, com retração de 1,47%.

METODOLOGIA

A metodologia do IPCA-15 é praticamente a mesma utilizada no cálculo do IPCA, indicador oficial da inflação brasileira e referência para a meta de inflação do Governo Federal, atualmente fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A principal diferença entre os dois indicadores está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica da pesquisa.

No caso do levantamento divulgado agora, a coleta de dados ocorreu entre os dias 16 de maio e 16 de junho, permitindo a divulgação da prévia antes do encerramento do mês de referência.

Os dois índices consideram uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 1.621.

O IPCA-15 pesquisa preços em 11 localidades brasileiras, incluindo Fortaleza. Já o IPCA completo abrange 16 localidades. A divulgação do resultado oficial de junho está prevista para o próximo dia 10 de julho.

Com informações da Agência Brasil.