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Lula promete anular leilão do gás e chama de “bandidagem” o aumento de preços

Presidente critica ágio de até 100% no GLP, fala em subsídio ao diesel e aponta distribuição como principal causa da alta ao consumidor
Levantamento mostra 50% de avaliação positiva do Governo Federal no Ceará. Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) afirmou, nesta quinta-feira (2), que vai anular o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, da Petrobras, que vendeu o produto às distribuidoras com preços até 100% maiores que os cobrados na tabela da estatal.

Durante entrevista à TV Record Bahia, Lula acrescentou que o certame ocorreu contra a vontade da direção da Petrobras.

“Foi feito um leilão; eu diria que é uma cretinice, uma bandidagem, o que fizeram. As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não aumentar o GLP. Fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras. Nós vamos rever esse leilão, vamos anular [esse leilão], porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, garantiu Lula.

Mercado internacional

Mesmo sendo produtor, o Brasil tem o mercado influenciado pelos preços internacionais, atualmente afetados pelo conflito no Oriente Médio.

A estratégia de leilões com alto ágio costuma ser vista como forma de alinhar o preço nacional ao mercado externo, sem a necessidade de anunciar aumento na tabela oficial.

Na página oficial, a Petrobras informa os preços de venda às distribuidoras à vista, sem tributos, por local e modalidade de venda. Os valores do GLP permanecem os mesmos desde novembro de 2024.

Críticas recorrentes ao alto preço do botijão de gás cobrado do consumidor final marcam a posição do presidente Lula, e, como resposta, o Governo Federal lançou o programa Gás do Povo, que substituiu o antigo Auxílio Gás e busca garantir o botijão gratuito para famílias de baixa renda.

Distribuição

Na avaliação de Lula, a distribuição é o principal fator de encarecimento do produto.

“Quando a Petrobras vende um botijão de gás a 37 reais, ele não pode chegar a 160 na casa do povo. Alguém está roubando. [Dizem:] ‘Ah, mas a pessoa está gastando dinheiro [tendo custo] para entregar’. Tudo bem, mas é muita diferença entre 37 para 140, para 150 reais. E agora fizemos um leilão que teve ágio de 100%”, disparou Lula.

O presidente da República voltou a criticar a guerra no Oriente Médio e os efeitos sobre o preço internacional do petróleo, que encarece os combustíveis, especialmente o óleo diesel no Brasil.

Cerca de 30% do consumo interno é importado, o que amplia a sensibilidade do Brasil às oscilações do mercado externo.

Diesel e medidas

Segundo Lula, medidas possíveis já estão em curso e novas providências devem ser adotadas para evitar uma escalada do preço do diesel, que impacta diretamente a inflação.

Além da redução de impostos já adotada, a expectativa é que o Governo Federal publique, ainda esta semana, uma medida provisória que cria subsídio ao diesel importado, com desconto de R$ 1,20 por litro.

“Pode ficar certo, o povo não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel, mas tem gente [dos postos] aumentando sem nenhuma necessidade. Qual é a lógica de aumentar o preço do álcool? Qual é a lógica de aumentar o preço da gasolina se nós ainda não temos necessidade disso? É pura bandidagem de algumas pessoas”, afirmou Lula.

Críticas à privatização da BR Distribuidora, ocorrida em 2019, também foram retomadas pelo presidente Lula. Ele afirmou que a empresa poderia hoje atuar para conter aumentos ao consumidor.

“Privatizaram a BR [Distribuidora] e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora. Até uma empresa de gás que eu comprei em 2004, eles venderam. A empresa de gás, que a gente faz a distribuição, era uma empresa para a gente fazer a regulação do preço”, disse Lula.

Estudos sobre a recompra da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde, na Bahia, também foram citados pelo presidente da República.

“Não é justo o que fizeram. A refinaria produz [hoje] menos da metade daquilo que deveria produzir. E nós precisamos da refinaria produzindo muito mais porque nós [Brasil] produzimos 70% do nosso óleo diesel e a gente compra 30% do óleo diesel. Esse importado, ele não tem jeito, ele vem com o preço de mercado internacional e você é obrigado a fazer o reajuste”, explicou.

Até a publicação desta matéria, a Petrobras não esclareceu as condições do leilão.

Com informações da Agência Brasil.