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Mário Freire: Ceará pode se tornar polo de IA com data centers e energia renovável

Em coluna para o Opinião CE, advogado aponta incentivos fiscais, cabos submarinos e potencial energético como vantagens para atrair investimentos e ampliar a presença do Estado na economia digital
O potencial energético e a conexão internacional por cabos submarinos estão entre os fatores que podem impulsionar o setor de tecnologia no Ceará, segundo Mário Freire. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Ceará reúne condições para disputar investimentos em data centers e IA e ampliar sua participação no mapa da tecnologia brasileira. Essa é a avaliação do advogado especialista em Direito Ambiental, Mário Freire, em coluna para o Opinião CE. Entre os fatores apontados por ele estão a oferta de energia renovável, a conectividade internacional de Fortaleza, os incentivos fiscais e a disponibilidade de áreas para grandes empreendimentos.

Um dos principais projetos nesse cenário é o data center da ByteDance, empresa controladora do TikTok, desenvolvido em parceria com a Omnia na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, no Complexo do Pecém. O empreendimento tem investimento estimado em mais de R$ 200 bilhões e pode contribuir para ampliar a infraestrutura digital do Estado. Na avaliação de Freire, a combinação de fatores estratégicos pode colocar o Ceará em posição competitiva para atrair empresas ligadas à economia digital, em um setor historicamente concentrado em grandes centros econômicos, como São Paulo.

Energia renovável e incentivos fiscais atraem investimentos

Entre as vantagens do Ceará, o advogado destaca a matriz energética. Segundo os dados apresentados por ele, cerca de 96% da energia elétrica gerada no Estado vem de fontes renováveis, sendo aproximadamente 71% de origem eólica e 25% solar. A disponibilidade de energia é um fator relevante para a instalação de data centers, estruturas que precisam operar continuamente e demandam grandes volumes de eletricidade para processar e armazenar dados. Nesse contexto, Freire avalia que a oferta de fontes renováveis pode representar uma vantagem competitiva para o Estado.

O especialista também cita os incentivos fiscais previstos na legislação estadual, incluindo mecanismos relacionados ao ICMS, e os benefícios tributários federais destinados a projetos do setor. Esses instrumentos, segundo ele, podem contribuir para tornar o Ceará mais atrativo para novos empreendimentos tecnológicos.

Confira a análise:

Cabos submarinos reforçam posição de Fortaleza

Outro diferencial apontado pelo advogado é a infraestrutura de conectividade internacional de Fortaleza. A capital cearense está conectada a diversos sistemas de cabos submarinos responsáveis pelo transporte de dados entre o Brasil e outros mercados. Essa estrutura favorece a comunicação com redes internacionais e pode reduzir a latência, fator importante para serviços digitais, computação em nuvem e aplicações de inteligência artificial. Freire também destaca a disponibilidade de áreas para receber grandes empreendimentos como parte das condições que podem favorecer a expansão do setor no Ceará.

Qualificação profissional é desafio para o setor

Para que a atração de investimentos se converta em desenvolvimento econômico, o advogado considera fundamental ampliar a formação de profissionais especializados. A expansão dos data centers e dos serviços de inteligência artificial pode aumentar a demanda por técnicos, engenheiros de redes, especialistas em computação em nuvem e segurança da informação, além de profissionais voltados à inteligência artificial.

Nesse cenário, instituições como a Universidade Estadual do Ceará (Uece), o Instituto Federal do Ceará (IFCE) e o Instituto Centec podem contribuir para a formação de mão de obra. A implantação do campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza também é apontada como parte do fortalecimento do ambiente de ciência e tecnologia no Estado.