A dançarina Dayane Rodrigues apresenta o espetáculo “Inspiração: Amor – Fonte da Vida”, nova montagem da Associação Elos da Vida, nova montagem da Associação Elos da Vida, com uma prótese 3D inovadora desenvolvida pelo fisioterapeuta e ortoprotesista Dr. Edir Angelo, profissional da Clínica Ativos.
A dança sempre fez parte da vida de Dayane Rodrigues. Criada em uma família apaixonada por forró, ela nunca imaginou que um dia deixaria os salões por causa de uma amputação. Após passar dois anos em uma cadeira de rodas e enfrentar um período de depressão, acreditava que nunca mais pisaria em um salto alto nem voltaria a dançar.
Hoje, a realidade é outra: graças a uma prótese produzida com tecnologia 3D, Dayane estreia um novo espetáculo do projeto Elo de Vida usando um salto desenvolvido especialmente para ela.
A celebração do amor em suas múltiplas formas é o eixo central do espetáculo“Inspiração: Amor – Fonte da Vida”, nova montagem da Associação Elos da Vida, que será apresentada, nas próximas quarta (23) e quinta-feiras (24), às 19h30, no Teatro RioMar Fortaleza.
A prótese foi criada pelo fisioterapeuta e ortoprotesista Dr. Edir Angelo, profissional da Clínica Ativos, que trabalha há mais de 15 anos com reabilitação de pessoas amputadas e há cerca de oito anos utiliza impressão 3D na fabricação de próteses.
O equipamento, além de ser mais leve que uma prótese convencional, foi projetado para facilitar os movimentos da dança e ainda conta com iluminação interna que reage ao som da música, tornando a apresentação ainda mais marcante.
“Ela é muito leve, muito elegante e está ajudando bastante em alguns passos da dança. Além disso, estou realizando o sonho de voltar a dançar com salto“, afirma Dayane.
Segundo ela, a nova prótese representa muito mais do que um recurso de mobilidade. “Para mim, como mulher, isso significa autoestima. Eu queria mostrar para outras mulheres que não é preciso abaixar a cabeça por usar uma prótese ou estar em uma cadeira de rodas. Essa prótese levantou ainda mais a minha autoestima.”
A confiança para subir ao palco
Depois da amputação, Dayane conta que viveu um período de isolamento emocional. O medo de cair e a insegurança dificultavam qualquer tentativa de retomar atividades que faziam parte da sua rotina.
O reencontro com a dança aconteceu por meio do projeto Elo de Vida, após um convite feito pela diretora e professora Renata, que conheceu Dayane pelas redes sociais.
No início, a insegurança ainda falava mais alto. “Eu tinha muito medo de dançar, de alguém me soltar. Mas lá tudo é adaptado. Voltei a dançar forró, que sempre foi minha paixão. Hoje consigo girar, me sinto muito mais livre”, relata.
Ela define a dança como uma forma de recomeço. “A dança é a minha terapia. Quando estou triste ou desanimada, dançar me salva.”
A leveza para dançar
A ideia da prótese surgiu a partir de uma necessidade prática. As próteses convencionais utilizadas por Dayane dificultavam alguns movimentos, especialmente os giros durante a dança. Embora existam pés protéticos específicos para salto alto, o custo é elevado, tornando o equipamento inacessível para muitos pacientes. Foi então que Dr. Edir Angelo decidiu desenvolver uma alternativa utilizando impressão 3D.
“Eu sempre tive vontade de criar algo diferente para a Dayane. Primeiro pensei em uma prótese de salto. Com a tecnologia 3D conseguimos transformar essa ideia em algo real“, explica.
Prótese proporciona mais leveza, apoio e conforto. Foto: Arquivo Pessoal
O processo começa com o escaneamento do coto do paciente, permitindo desenvolver uma prótese personalizada, respeitando pontos de apoio e conforto. Depois, todo o modelo é elaborado em um software específico antes de ser impresso em material resistente.
Segundo o fisioterapeuta, o primeiro teste superou as expectativas. “Quando ela ficou em pé pela primeira vez, já foi uma surpresa. Achei que talvez não desse certo, mas ela começou a ganhar segurança até conseguir dar os primeiros passos. Depois fizemos alguns ajustes e vimos que havia muito potencial.“
A inovação para beneficiar outros
Para Dayane, o maior significado da nova prótese é saber que ela poderá abrir caminho para outras mulheres amputadas. “Tenho certeza de que não vai ser só eu que vou usar. Muitas mulheres também vão querer essa possibilidade. Além disso, como é produzida em 3D, o custo fica mais acessível, declarou.
Dr. Edir compartilha da mesma expectativa. Segundo ele, o projeto não foi pensado apenas para uma paciente, mas para ampliar as possibilidades de reabilitação.
“A pessoa amputada já passou por um processo muito traumático. Se conseguimos desenvolver uma prótese que ofereça mais conforto, mais adaptação e permita que ela volte às atividades que ama, isso faz toda a diferença”, afirmou.
Inspirado por modelos internacionais e pela experiência adquirida ao lado do pai, que também atuava na área de próteses, o fisioterapeuta acredita que a impressão 3D representa um caminho importante para democratizar o acesso a equipamentos personalizados e estimular novas aplicações, como dança e esportes.
Com a prótese 3D, Dayane celebra uma conquista que vai muito além da tecnologia. Ela volta a dançar, volta a usar salto alto e, principalmente, reafirma que a deficiência não limita sonhos quando inclusão e inovação caminham juntas.
Este site usa cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência de navegação. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies.