A gastronomia parece ter entrado em uma corrida permanente pela próxima novidade — o próximo restaurante, o próximo ingrediente, a próxima técnica, o próximo prato que vai aparecer nas redes sociais. Existe sempre alguma coisa nova para experimentar, e eu gosto disso. A curiosidade é uma das forças que movimentam a gastronomia.
Um cozinheiro que para de estudar, experimentar e descobrir provavelmente também para de evoluir, mas existe uma pergunta que tenho feito cada vez mais: em que momento a busca pelo novo faz a gente deixar de perceber o que já é bom? Nem todo prato precisa ser uma descoberta, nem todo restaurante precisa reinventar seu cardápio o tempo inteiro e nem todo ingrediente precisa ser apresentado de uma maneira inédita.
Existe valor em repetir, em voltar ao mesmo lugar, em pedir novamente aquele prato que você já conhece e em preparar uma receita que funciona há anos exatamente como ela é. Na cozinha, existe uma pressão constante para surpreender, como se a experiência gastronômica precisasse sempre provocar alguma reação extraordinária.
Mas comida também pode simplesmente cumprir o seu papel — pode estar saborosa, bem temperada, no ponto certo e servida na temperatura adequada.
Pode não gerar uma fotografia extraordinária, não virar assunto nas redes sociais e ainda assim ser uma excelente refeição. Talvez a maturidade gastronômica esteja também em reconhecer isso. Conhecer o novo continua sendo importante, mas ter repertório suficiente para saber o que merece permanecer é igualmente importante. Porque uma cozinha com identidade não é aquela que nunca repete, é aquela que sabe o que vale a pena repetir.
Talvez a novidade mais interessante seja justamente essa: aprender a olhar novamente para aquilo que já conhecemos e descobrir que algumas coisas não precisam mudar para continuar sendo boas.
