A designer, arquiteta e urbanista cearense Jaízza Figueirêdo venceu o Latin American Design Awards (LAD Awards) 2026, na categoria Sustainable Design, com o projeto “Fortaleza em 121 Bairros”. A premiação foi realizada em Lima, no Peru, e reconheceu a iniciativa que utiliza o design para aproximar os moradores da Capital dos territórios onde vivem.
Natural de Aurora, no sertão do Cariri, Jaízza desenvolveu o projeto a partir dos contornos geográficos dos 121 bairros de Fortaleza. A proposta transforma a cartografia urbana em uma linguagem visual acessível, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a cidade e estimular o sentimento de pertencimento. “Acredito que o primeiro passo para cuidar de um território é reconhecê-lo”, afirma a designer.
Para ela, compreender a organização da cidade e as relações entre os bairros permite perceber Fortaleza como uma estrutura coletiva, formada por diferentes histórias, experiências e identidades.
Design transforma mapas em ferramenta de educação
O projeto parte da ideia de que a sustentabilidade também envolve a relação das pessoas com os espaços que habitam. Embora conheçam ruas, estabelecimentos e locais frequentados no cotidiano, muitos moradores nem sempre identificam os limites oficiais dos próprios bairros ou compreendem como eles se conectam ao restante da cidade.
Para tornar essas informações mais acessíveis, a identidade visual do “Fortaleza em 121 Bairros” utiliza os contornos reais dos territórios como elementos gráficos. Cada bairro possui uma assinatura visual própria, integrada a uma composição maior. As cores organizam os territórios em 12 famílias cromáticas, correspondentes às regionais administrativas.

A linguagem visual foi aplicada em diferentes formatos, como mapas de bolso, plataforma digital, materiais editoriais e uma instalação imersiva com mapas suspensos. Na instalação, o público podia caminhar entre as representações dos territórios e procurar o bairro onde vive.
“Quando alguém encontra seu bairro em um mapa, reconhece sua forma, percebe os territórios vizinhos e começa a fazer perguntas sobre aquele espaço, uma informação técnica pode se transformar em conhecimento prático”, explica Jaízza.
Segundo a designer, tornar visível a diversidade territorial de Fortaleza também contribui para valorizar as identidades, as memórias e as potencialidades de cada região. “O projeto parte de uma convicção: a informação também pode ser uma forma de acolhimento. Quando conseguimos compreender melhor o território que habitamos, ampliamos nossa capacidade de nos reconhecer nele e de participar das conversas sobre o seu presente e o seu futuro”, afirma.

Da infância no Cariri ao reconhecimento internacional
A relação de Jaízza com a criação começou na infância, vivida no sítio da avó, em Aurora. Entre as cores da natureza e a invenção de brinquedos com materiais disponíveis, ela desenvolveu um olhar atento às formas e aos detalhes do cotidiano. Aos 16 anos, mudou-se para Fortaleza para estudar Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Ceará (UFC). A formação ampliou sua percepção sobre como a organização dos espaços pode aproximar ou afastar pessoas, criar oportunidades ou produzir exclusões.
Outra lembrança marcante é a da avó costurando em uma máquina antiga. Jaízza observava os movimentos do equipamento e a transformação do tecido em peças coloridas. Hoje, relaciona essa memória à combinação entre técnica e sensibilidade que orienta seu trabalho. “Assim como na costura da minha avó, há uma complexidade silenciosa que sustenta aquilo que, aos olhos de quem recebe, parece acontecer com naturalidade”, conta.
A conquista internacional, segundo a designer, também representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção criativa do Ceará e do Nordeste, além de fortalecer a presença das mulheres no setor.
“Fortaleza, esta vitória é sua. Pertence a seus 121 bairros e às pessoas que dão vida a cada um deles. Que este prêmio abra ainda mais portas para o design no Nordeste, amplifique a presença e a relevância das mulheres na nossa área e, sobretudo, inspire gestores a enxergar a potência do design como ferramenta de educação, de transformação social e de construção de futuros possíveis”, afirma.

Aos 16 anos, mudou-se para Fortaleza para estudar Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Ceará. A formação ampliou sua percepção sobre a cidade e sobre como a organização dos espaços pode aproximar ou afastar pessoas, criar oportunidades ou produzir exclusões.
LAD Awards recebeu mais de 1.500 inscrições
O Latin American Design Awards reconhece trabalhos de profissionais e estudantes da área criativa na América Latina. Em 2026, a premiação recebeu mais de 1.500 inscrições, e 638 trabalhos avançaram para a fase final, após avaliação de um júri composto por 54 profissionais internacionais, conforme os dados apresentados sobre a edição. Jaízza chegou à etapa final em três categorias e venceu Sustainable Design com o projeto “Fortaleza em 121 Bairros”, levando o nome da Capital e da produção criativa cearense ao circuito latino-americano de design.
