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Nomes aos bois: feitores da “educação” de Bolsonaro têm culpa no cartório

Vale destacar que houve, na trevosa temporada, quatro ministros da Educação
Ex-ministro da Educação na gestão Bolsonaro, Abraham Weintraub. Foto: Divulgação/MEC

Cabe retorno à estarrecedora informação de que mais da metade dos estudantes matriculados na segunda série do Ensino Fundamental na rede pública não consegue ler, tema de comentário na coluna da última terça-feira (30 de janeiro). Adicionemos à pauta algumas observações históricas: o declínio perturbador não se deve apenas à pandemia da covid-19, mas à irresponsável e criminosa falta de políticas públicas e até mesmo de gestores qualificados para o setor na gestão federal de 2019 a 2022.

À guisa de anotação, vale destacar que houve na trevosa temporada quatro ministros da Educação – todos com cota de culpa na situação vexatória: o colombiano Ricardo Vélez, adepto do pseudo-filósofo Olavo de Carvalho; o alucinado Abraham Weintraub, que enxergava inclinações lisérgicas e canábicas em cursos superiores; Milton Ribeiro, o pastor crente em “ideologia de gênero”, que montou no MEC um balcão paralelo que negociava verbas em troca de ouro; e Victor Godoy, burocrata que mais se esforçou para ficar distante de polêmicas do que para gerir o ensino convenientemente.

E, entre Weintraub e Ribeiro, ainda houve aquele que foi sem nunca ter sido: Carlos Decotelli, fraudador do próprio currículo acadêmico que nem chegou a ser empossado. Esse foi o time escalado para, no meio do desafio imposto pela pandemia, cuidar da educação pública no País. Os quatro – ou cinco – tiveram tanto êxito quanto os que deixaram escalarem os números trágicos de morte pela covid. Ou seja, nada. Diante disso, vale questionar: alguém se espanta por termos no Brasil crianças da segunda série que não sabem ler nem escrever?

OLAVISTA IGNORANTE (PERDÃO PELA REDUNDÂNCIA)

De Ricardo Vélez, deve-se lembrar que ele queria apagar a história e escrever o que lhe conviesse – como, por exemplo, a tese de que não houve golpe de estado no Brasil em 1964, mas um “contragolpe que livrou o país do comunismo”. Tanto desconhecia os fundamentos da educação pública que foi humilhado pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP) em audiência pública na Câmara. Sumiu do noticiário

BOLSOMINION DELIRANTE

De Abraham Weintraub pode-se dizer que se tratava de um obcecado em atacar as universidades. Sem apresentar uma prova que fosse, acusou haver em campi federais plantações intensivas de maconha, dizendo também que laboratórios das instituições serviam à produção de drogas sintéticas. Perdeu a credibilidade, foi excluído do bolsonarismo e assumiu com o irmão, Arthur, a imagem de dois fanáticos fascistas. Em 2020, foi candidato a deputado federal em São Paulo, recebendo pouco mais de 4 mil votos. Hoje, é um desocupado nos Estados Unidos.

FRAUDADOR CONTUMAZ

Quanto a Decotelli, descobriu-se que não concluiu Doutorado nem Pós-Doutorado, embora houvesse incluído no currículo ter os títulos. Também dizia ter sido professor da Fundação Getúlio Vargas, outra rematada mentira. Já Milton Ribeiro, um pastor que andava armado de pistola, chegou a ser preso por ordem da Justiça Federal em decorrência dos esquemas de corrupção denominados de “Bolsolão do MEC”. E, assim, a gestão Bolsonaro seguia enforcando e esquartejando a educação brasileira.

AÇÃO

O senador Sérgio Moro (UB-PR) foi bancar o gaiato nas redes sociais e tentou “lacrar” com o ranking internacional de percepção da corrupção, no qual o Brasil caiu 10 posições, e escreveu: “Para surpresa de ninguém, o Brasil despenca no ranking da Transparência Internacional no primeiro ano do Governo Lula. O fim da lei das estatais é o fato mais notável, mas não existe política de prevenção ou combate à corrupção neste Governo. O exemplo vem de cima”.

REAÇÃO

Teve de ler resposta dura de internauta cearense: “Essa palavra ‘percepção’ é muito parecida com os termos que você usou para condenar o Lula: ‘fortes indícios’ ou ‘atos de ofício indeterminados’, né? Existem fortes indícios de que perderá seu mandato e tenho a percepção de que será preso… Bom dia, futuro ex-senador”. Ói! Ainda vai?

DE COSTUME

E como nada do que Moro faz, diz ou escreve se sustenta em pé, o STF mandou ontem que seja investigada a relação entre a Lava Jato e a Transparência Internacional.

FILHA DE PEIXE, PEIXINHA É

A Escola Superior do Parlamento Cearense (Unipace) encerrou 2023 com o expressivo número de 10.324 alunos atendidos em diferentes cursos. As atividades incluem capacitações, cursos de extensão e de idiomas e pós-graduações. Detalhe: a Unipace foi criada há 17 anos pelo então presidente da Assembleia Legislativa, Domingos Filho. Quem a coordena hoje é a filha dele, a deputada Gabriella Aguiar (PSD).