A Universidade Estadual do Ceará (Uece), em parceria com a Usina Termelétrica (UTE) Energia Pecém, do Grupo Diamante Energia, realizou um teste inédito de co-combustão de combustível sólido com o uso de biocarvão produzido a partir da casca de coco verde. A iniciativa utilizou mais de 19 toneladas do resíduo agroindustrial e busca desenvolver uma alternativa para reduzir parcialmente a dependência de combustíveis fósseis e contribuir para a descarbonização industrial.
O teste integra o Projeto Carvão Híbrido, desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A proposta é transformar a casca de coco verde, resíduo abundante no Ceará, em biocarvão com potencial de aplicação na geração de energia.
A tecnologia combina o biocarvão, obtido pela queima da casca de coco, com carvão mineral. A estratégia busca aproveitar resíduos agroindustriais e promover a economia circular, com a possibilidade de incorporar uma fonte alternativa de combustível à infraestrutura industrial já existente.
Projeto produziu 1,5 tonelada de biocarvão
O projeto resultou na produção de mais de seis toneladas de pellets, biocombustível sólido obtido pela compactação de resíduos de madeira. O material foi utilizado na produção de aproximadamente 1,5 tonelada de biocarvão.
O teste industrial busca avaliar o desempenho do combustível, sua viabilidade operacional e o potencial de redução da pegada de carbono na geração termelétrica. A iniciativa também considera a necessidade de conciliar sustentabilidade, eficiência operacional e segurança energética.
A atividade foi realizada em parceria com a Uece, por meio do Laboratório de Conversão Energética (LCE/LAIS), coordenado pela professora Mona Lisa Moura.
Pesquisa reúne universidades e setor produtivo
Segundo Mona Lisa Moura, a iniciativa representa um avanço tecnológico para a pesquisa aplicada, a inovação e a descarbonização industrial no Ceará. Os testes foram conduzidos em ambiente industrial, correspondente ao nível de maturidade tecnológica TRL 6.
“Mais do que um teste industrial, a atividade simboliza a integração entre universidade, ciência, tecnologia e setor produtivo, reunindo pesquisadores, estudantes, engenheiros, técnicos e profissionais comprometidos com o desenvolvimento de soluções energéticas inovadoras”, destacou a professora.
O projeto envolve mais de 40 profissionais e estudantes, com a participação de pesquisadores da Uece, da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
A equipe reúne especialistas de áreas como Engenharia, Química e Energia. Também participam estudantes dos programas de pós-graduação em Ciências Naturais e Ciências Físicas Aplicadas da Uece, além de graduandos dos cursos de Física, Química e Ciência da Computação.
De acordo com a Uece, os resultados técnicos e ambientais do teste serão importantes para determinar o desempenho do combustível, sua viabilidade de uso em escala industrial e sua contribuição potencial para reduzir as emissões associadas à geração termelétrica.
*Tayná Bayma – sob supervisão
