Quatro em cada 10 estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam ter sido vítimas de bullying. É o que mostram os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com informações coletadas em 2024 em escolas de todo o país. As meninas são as mais afetadas: 43% relataram ter sofrido bullying, ante 37,3% dos meninos.
Entre os motivos mais citados para as agressões estão características da aparência física, como rosto, cabelo e corpo, além da cor ou raça das vítimas. Os dados evidenciam a dimensão da violência no ambiente escolar e os desafios para prevenir práticas de intimidação entre adolescentes.
Aparência física e racismo estão entre os motivos
O bullying pode se manifestar por meio de agressões físicas ou psicológicas, humilhações e comportamentos repetitivos que provocam sofrimento às vítimas. Em 2015, a então presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 13.185, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática em todo o território nacional.
A legislação define bullying como atos intencionais e repetitivos de violência física ou psicológica, praticados por uma pessoa ou grupo contra outra pessoa, com o objetivo de intimidar ou agredir, causando dor e angústia em uma relação de desequilíbrio de poder.
Bullying pode provocar ansiedade e depressão
As consequências da intimidação podem ultrapassar o período escolar. Segundo o Hospital Santa Mônica, vítimas de bullying apresentam maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), baixa autoestima, fobia social e transtornos alimentares. O problema também pode estar associado ao abuso de substâncias.
De acordo com a instituição, os efeitos podem persistir até a vida adulta, comprometendo relacionamentos, desempenho profissional e qualidade de vida.
MPCE reforça prevenção da violência nas escolas
No Dia Mundial de Combate ao Bullying, o Ministério Público do Ceará (MPCE) alerta para a violência no ambiente escolar e a influência da internet, destacando a importância de proteger crianças e adolescentes e prevenir agressões.
Uma das iniciativas voltadas ao enfrentamento do problema é o programa “PREVINE – Violência nas escolas, não!”, que busca fortalecer a prevenção à violência no ambiente escolar e ampliar a proteção de crianças e adolescentes. A iniciativa reúne representantes das instituições de ensino em grupos responsáveis por elaborar ações preventivas, sensibilizar a comunidade escolar e encaminhar casos suspeitos ou confirmados de violência. A proposta é fortalecer a atuação conjunta na identificação e no enfrentamento de situações que coloquem em risco a segurança e o bem-estar dos estudantes.
*Tayná Bayma – sob supervisão
