Espécies raras e ameaçadas de extinção foram registradas em municípios da Serra da Ibiapaba, no noroeste do Ceará, durante ações de pesquisa e conservação da flora. Os trabalhos, que contaram com a participação de técnicos da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), identificaram a ocorrência de pequi (Caryocar coriaceum) em Tianguá e de uma bromélia endêmica do Ceará (Pitcairnia limae) em Ibiapina.
Os registros integram as atividades do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Flora Ameaçada de Extinção da Caatinga Ceará-Piauí (PAN Flora da Caatinga), voltado à proteção de 25 espécies ameaçadas nos dois estados. A iniciativa busca ampliar as informações científicas sobre a distribuição das plantas e contribuir para a definição de medidas de conservação.
A participação da Semace ocorreu por meio da Diretoria Regional de Sobral (Disob), com os técnicos Leonardo Rodrigues e Frank Soares. As atividades incluíram trabalhos de campo, mapeamento de populações vegetais e coleta de material botânico em áreas que ainda apresentam lacunas de conhecimento científico.
Pequi ameaçado é registrado em Tianguá após décadas
Um dos principais resultados foi o registro do pequi (Caryocar coriaceum) em Tianguá. A espécie é classificada como Vulnerável (VU) à extinção e tem importância para a biodiversidade regional. No Planalto da Ibiapaba, o último registro conhecido da planta remontava à década de 1980, com apenas uma coleta documentada na região. A nova ocorrência atualiza as informações sobre a distribuição da espécie e abre caminho para pesquisas sobre suas populações e as condições ambientais necessárias à sua sobrevivência.
Para o técnico Leonardo Rodrigues, encontrar o pequizeiro na região teve relevância tanto científica quanto pessoal.
“Foi uma emoção encontrar uma espécie tão rara na Ibiapaba, sobre a qual ainda temos pouco conhecimento em relação à sua distribuição geográfica, ecologia e aos aspectos ambientais necessários à sua ocorrência na região. Esse registro abre novas perspectivas para dar continuidade ao monitoramento dessas espécies, compreender mais sobre a ocorrência dos cerrados no contexto do Planalto da Ibiapaba, ampliar o conhecimento sobre suas populações e gerar informações técnicas que possam subsidiar a elaboração e a implementação de políticas públicas voltadas à conservação da flora ameaçada”, destacou.
Bromélia exclusiva do Ceará é encontrada em Ibiapina
Outro registro relevante foi o da Pitcairnia limae, bromélia coletada no município de Ibiapina. A espécie é endêmica do Ceará, ou seja, ocorre naturalmente apenas no território cearense, e está classificada como Criticamente em Perigo (CR), categoria que indica risco extremamente elevado de extinção na natureza. A ocorrência documentada amplia o conhecimento sobre a distribuição da planta e fornece informações para o planejamento de ações específicas de proteção. Espécies nessa categoria exigem atenção especial devido ao elevado risco de desaparecimento na natureza.
Plano prevê cinco anos de ações para conservar a flora
Aprovado pela Portaria nº 52, de 12 de dezembro de 2025, o PAN Flora da Caatinga estabelece estratégias prioritárias para a conservação de 25 espécies ameaçadas incluídas na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, com abrangência no Ceará e no Piauí.
O plano é coordenado pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), por meio da Coordenação de Projetos de Estratégias para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Centro Nacional de Conservação da Flora (COESC/CNCFlora). A iniciativa tem duração prevista de cinco anos e reúne ações para proteger habitats naturais, promover o manejo sustentável dos recursos e estimular a participação das comunidades locais.
Entre as prioridades estão o levantamento da distribuição geográfica das plantas, o acompanhamento de suas populações e a avaliação das condições dos ambientes onde ocorrem. Essas informações são fundamentais para identificar ameaças e orientar medidas de conservação.
Amostras serão utilizadas em pesquisas científicas
Durante os trabalhos de campo, os técnicos coletaram espécimes botânicos que foram depositados no Herbário EAC, da Universidade Federal do Ceará (UFC). O material preservado funciona como referência para consultas, estudos taxonômicos e pesquisas científicas futuras. A documentação dos exemplares também contribui para o monitoramento da biodiversidade e para a produção de informações técnicas que podem subsidiar políticas públicas de proteção da flora ameaçada no Ceará.
