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Projeto contrata profissionais 60+ para humanizar atendimento em unidades de saúde no Ceará

Acolhe + já funciona na UPA de Horizonte e será ampliado para outras unidades do IGC Brasil no Ceará e em Sergipe; pesquisa aponta 94% de aprovação dos pacientes
Iniciativa do IGC Brasil já funciona em Horizonte e prevê expansão para as UPAs de Pacatuba e Maracanaú. Foto: Divulgação

A experiência de profissionais com 60 anos ou mais está sendo usada para tornar mais humanizado o atendimento em unidades de saúde. Idealizado pelo Instituto de Gestão e Cidadania (IGC Brasil), o projeto Acolhe + contrata e capacita pessoas idosas para receber pacientes, orientar sobre os serviços e facilitar o acesso ao atendimento. A iniciativa já funciona na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Horizonte e será ampliada para outras unidades administradas pelo instituto no Ceará e em Sergipe.

Os primeiros resultados apontam aprovação dos usuários: 94% dos pacientes ouvidos em uma pesquisa de percepção afirmaram que as orientações recebidas ajudaram a entender para onde ir ou o que fazer na unidade. O mesmo percentual avaliou como boa ou ótima a forma como foi recebido e considerou importante contar com alguém disponível para acolher na chegada.

O projeto surgiu em um cenário de crescimento da participação de pessoas com mais de 60 anos no mercado de trabalho, muitas vezes em condições de informalidade. Segundo levantamento da Nexus com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de brasileiros nessa faixa etária trabalhando passou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões em dez anos, um aumento de 53%.

Apesar do avanço, cerca de 53% dos trabalhadores com 60 anos ou mais estão na informalidade, proporção superior à registrada entre jovens de 18 a 24 anos, de 41%.

Projeto começou na UPA de Horizonte

O Acolhe + foi idealizado pelo IGC Brasil após uma jornada de debates promovida pelo Ministério Público do Ceará, há cerca de um ano. A proposta é aproveitar a experiência de pessoas com mais de 60 anos para melhorar a recepção dos pacientes e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades de trabalho para esse público. Na UPA de Horizonte, o projeto conta com duas profissionais: Rita Cássia, responsável pelo acolhimento no período da manhã, e Ana Célia, que atua à tarde. Elas recebem os pacientes, explicam o funcionamento da unidade e orientam sobre os caminhos até o atendimento.

Aos 64 anos, Rita Cássia, natural de Alagoas, afirma que a oportunidade chegou em um momento em que já não esperava voltar ao mercado de trabalho.

“Pensei que não ia mais trabalhar e o projeto veio para agregar à minha vida, o melhor momento da minha vida. Eu achava que não ia mais ter condições de trabalhar”, relata.

Sobre a função desempenhada na unidade, ela resume: “A gente está ali para acolher, para ajudar.”

Pesquisa aponta aprovação de 94% dos pacientes

Além da avaliação positiva sobre a recepção, a pesquisa de percepção identificou palavras como “acolhimento”, “humanização”, “atenção” e “agilidade” entre as mais citadas pelos pacientes para definir o projeto. Entre os colaboradores das unidades de saúde, os relatos apontam melhora na organização do fluxo de pessoas e mais facilidade de acesso aos serviços. Para exercer a função, os profissionais passam por capacitação em atendimento humanizado, comunicação, acolhimento e integração às rotinas das unidades de saúde.

Acolhe + será ampliado para outras unidades

De acordo com a presidente do IGC Brasil, Ticiana Mota, a iniciativa deve se consolidar como uma política institucional, com expansão para as unidades administradas pelo instituto e possibilidade de alcançar outros setores. “Já iniciamos com o piloto na nossa UPA de Horizonte e, agora vamos expandir para todas as nossas unidades, que hoje somam nove, no Ceará e em Sergipe. O nosso intuito é a expansão do programa, inclusive para além da saúde”, afirma.

A próxima etapa prevê a implantação do Acolhe + nas UPAs de Pacatuba e Maracanaú. A expansão faz parte do plano de levar o modelo às demais unidades do IGC Brasil, ampliando o acolhimento aos pacientes e as oportunidades de trabalho para profissionais com 60 anos ou mais.